Nos últimos textos procurei falar de assuntos que não envolviam a política brasileira. Coisas do cotidiano que pudessem fugir dessa mesmice que apequena nosso país.
Nesta sexta-feira, o assunto da vez é a briga intestina com palavrões, ameaças e contraespionagem que envolvem o partido do presidente Jair Bolsonaro. O melhor, não é o partido dele. É uma sigla que lhe deu abrigo para concorrer à Presidência da República no ano passado. Bolsonaro não tem ideologia partidária, pois mudou “ene” vezes de partido.
Bolsonaro é ele mesmo e o resto que se exploda –não precisava o deputado Delgado Waldir (PSL-GO) ter dito, numa gravação, que ia implodir o presidente.
Não é o único nesse mar de políticos que conduzem o país em uma suposta República, cuja meta seria o de atender e assistir os pobres e os desvalidos. É uma horda de interesseiros que provoca desordem, brigas etc, mas que fala em nome da República. Somente isso.
O propósito dessa gente é chegar e se manter no poder e dele se beneficiar, seja com dinheiro, com a estrutura e com tudo que os governos podem proporcionar. Já vimos esse filme, mas como o debate é raso, poucos se atentam para o passado que pode ensinar no presente.
O “tema PSL” é mais um desses assuntos que desviam a atenção de questões que são bem mais reais. Enquanto se discute se fica ou sai o líder da bancada, numa interminável fofoca de corredor, atitudes centrais deixam de ser executadas.
Nunca é cansativo lembrar que a pobreza cresceu. A concentração de renda é uma vergonha. Bateu recorde em 2018, quando o rendimento médio mensal real da parcela de 1% da população de maior renda atingiu 33,8 vezes o da parcela com menor rendimento. Estamos ficando cada vez mais pobres.
A classe média perde o poder de compra a olhos vistos. Somente no Distrito Federal – tido como um ente federado bem acima da média nacional -, são 800 mil devedores para uma população de 3 milhões de habitantes. Ou seja, quase toda a população ativa economicamente está no Serasa e no SPC. O número de desempregados – ou em subempregos – em todo o Brasil continua sendo assustador
A insegurança é um problema crônico. A corrupção é contínua, endêmica, sorrateira, aviltante e escrota. A corrupção, que virou uma bandeira de campanha, se transformou num pano velho. Se alguém quiser, que faça as pesquisas nos últimos meses. Estamos sendo enganados.
Daqui a pouco nem mesmo a palavra “sextou!!!” terá um significado de alegria e diversão. Até isso vão tirar da gente.
