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A crítica e a acusação

Fofoca Inteligência artificial Misto Brasília

É preciso usar a inteligência para fugir da fofoca que é na sua essência maldosa/Arquivo/Revista Pazes

Não tomem críticas como declarações de guerra. Críticas podem ser mãos estendidas. Críticas podem ser um bom liquid paper no seu discurso. Quem gosta de melhorar, em geral, aprende com a crítica. Presta atenção, ouve, pensa, raciocina. Quem já se acha completo, ignora. E maldiz o emissor.

Uma boa crítica pode salvar uma boa ideia — mal expressa, contudo. Pode evitar um desastre. Pessoas egocêntricas evitam se expor, por isso não dizem nada, apenas elogiam quando lhes é conveniente: a crítica honesta que poderia ser feita transforma-se em fofoca maldosa de bastidores. Jesus nunca se poupou de uma boa crítica. E ainda dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir…” Ou seja: se aquele que é criticado souber aproveitar, poderá ganhar com isso. É importante ser sábio, ouvir…

A questão é que somos todos cheios de grandes egos e não nos permitimos admitir que aqui e ali pecamos por excesso ou falta. E, se pecamos, esperamos sinceramente que ninguém seja inconveniente para vir nos dizer exatamente qual foi nosso erro. Ora, mas era só o que faltava. Quem maria ninguém pensa que é, para isso? E maria ninguém, entretanto, está dando — graciosamente — uma boa dica de como melhorar a qualidade de sua comunicação, de sua imagem, de sua escrita, enfim, de sua apresentação, seja lá sob que aspecto for.

Às vezes, a crítica é para mim. Acreditem, sei diferenciar a crítica e a acusação, porque já recebi ambas, em fortes doses. A crítica é solidária, mesmo que contundente. A acusação é sorrateira, desonesta e quase sempre mentirosa. A crítica é certeira, diz respeito a algum aspecto profissional de minha vida, tem nome, endereço e telefone. Pode também versar sobre meu comportamento nas redes sociais ou questões pessoais, se o crítico for amigo íntimo.

Já a acusação envolve o submundo da fofoca e não mostra a cara. Vai de boca em boca, transmuta-se em boa e piedosa aparência, mas, afinal, desvenda-se cínica, cretina, desonesta, maldosa, mentirosa e canalha. Aliás, somente canalhas fazem parte dela: a acusação é o prato cheio da roda dos escarnecedores. Críticos honestos não tomam parte desse processo intestino do qual exala mau cheiro. Críticos querem melhorar e construir. Acusadores se preocupam, sob uma boa capa, em destruir. Há boas e fundamentais diferenças. Quem tem ouvidos para ouvir…

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