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Mitos que viralizam sobre o novo coronavírus

China coronavírus

Autoridades chineses temem agora as infecções vindas do exterior/Arquivo

As fake news encontram terreno fértil no pânico causado por alertas globais de saúde, gerando uma espécie de epidemia de informações capaz de se alastrar mais rapidamente que um vírus. Prova disso é que o medo do novo coronavírus surgido na China, que se espalhou por mais de 20 países, já rendeu uma série de notícias falsas compartilhadas em aplicativos de mensagem no Brasil.

Parece óbvio, mas vale ressaltar: é falso que o Ministério da Saúde tenha orientado a população a beber água quente e evitar lugares fechados até março de 2020; é falso que o diretor do Hospital das Clínicas emitiu alertas à sociedade; é falso que chá de erva doce tem a mesma substância do medicamento Tamiflu; é falso que se esteja cogitando cancelar o Carnaval no Brasil por causa do surto. E essa lista de disparates não deve parar de aumentar, registra a agência DW.

“É muito importante não passar à frente mensagens assim. Porque é grande o risco de criar pânico”, diz o médico Angelmar Roman, pesquisador do Instituto Presbiteriano Mackenzie e professor de Medicina de Família e Comunidade da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (Fempar).

“Sobre o atual surto, estou até fazendo uma coleção [de fake news]”, comenta ele, que destaca desde teorias da conspiração – como uma imagem que mostraria “milhões de pessoas caindo nas ruas na China, e isso não estaria sendo divulgado” – até receitas mirabolantes, como “comer fígado de boi e ingerir vitamina C”, além de beber toda a sorte de chás.

“Já foi demonstrado que vitamina C não tem eficiência em relação a viroses, mas se quiser tomar, não tem problema – só que é preciso saber que isso não é tratamento nem prevenção. Chá de erva doce pode ser gostoso, mas é claro que não tem nada a ver com medicamento”, exemplifica.

Mitos médicos – Roman lembra que boatarias no meio médico sempre existiram. “O problema é que antigamente a história ficava numa conversa, numa roda de amigos. Hoje cai no WhatsApp e no Facebook e se espalha. E fica parecendo notícia, como se fosse verdade”, compara.

A imaginação parece não ter limites: entre os mitos que viralizam estão o de que tomar água gelada “fecha quatro veias do coração e causa infarto”, e outro garantindo que “exercícios com a língua previnem Alzheimer”, bem como a indicação de que “quiabo cura diabetes”.

O médico e professor universitário conta que o assunto tem sido motivo de debates entre os alunos de medicina. “Nós, médicos, tendemos a lidar muito mal com isso. Acabamos ficando antipáticos a esse caos de informação sem a menor base e passamos a nos irritar. Isso é ruim: afasta a possibilidade de diálogo com o paciente”, argumenta.

Checagem de fatos na imprensa – Surtos como o do novo coronavírus chinês movimentam os núcleos de checagem de fatos da imprensa. Segundo o jornalista Daniel Bramatti, editor do Estadão Verifica, serviço do jornal Estado de São Paulo, “os boatos de saúde dependem se determinado assunto está ou não em evidência”.

A responsabilidade e a complexidade de temas de saúde tornam mais difícil o trabalho. “São checagens mais complexas, que exigem consulta a literatura científica e fontes oficiais, além de profissionais da área”, explica. “Por conta disso, tais verificações costumam demorar mais.”

O Ministério da Saúde mantém desde 2018 uma página na internet (saude.gov.br/fakenews) e um número de WhatsApp (+55 (61) 99289-4640) dedicado a receber e analisar informações sobre saúde – sobretudo as disseminadas via aplicativos de mensagens e grupos em redes sociais.

De acordo com balanço divulgado no ano passado, o serviço recebe pouco mais de mil mensagens por mês. Até a noite de quinta-feira (30), já eram 14 as notícias relacionadas ao coronavírus analisadas pelo órgão – todas elas falsas.

Contra-ataques – O assunto preocupa também as gigantes de tecnologia. O Twitter está implementando na Ásia um mecanismo que redireciona o usuário, mediante uso de hashtags específicas, para serviços oficiais de saúde.

Já o Facebook divulgou um comunicado no início da semana esclarecendo que as informações postadas na rede social sobre o coronavírus estão sendo checadas por um consórcio de sete empresas parceiras – e o conteúdo perde relevância no feed quando é considerado falso.

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