Isolado na emissora de rádio onde trabalha em Belém, Angelo da Costa Tupinambá fala com um pouco de dificuldade. Entre uma pausa e outra, que faz para recuperar o fôlego, ele conta por telefone à DW Brasil que tem sofrido com falta de ar e perda de olfato, sintomas associados à Covid-19.
Segundo a contagem oficial da prefeitura, até esta terça-feira (28), Belém, com 1,4 milhão de habitantes, confirmou 2.047 casos de Covid-19 e 85 mortes em decorrência do novo coronavírus. Mais de 400 testes aguardam resultado.
Brasil bate recorde em morte associada ao coronavírus – #COMPARTILHE o Misto Brasilia
“Estou evitando ao máximo sair daqui para ir a uma unidade básica de saúde diante do caos generalizado no sistema”, conta Tupinambá, de 39 anos. “Está tudo lotado, algumas unidades nem atendem mais”.
Os sintomas apareceram depois que Tupinambá permaneceu ao lado do sogro, de 69 anos, que estava doente. Após várias idas ao hospital, ele acabou morrendo em casa, há uma semana, em decorrência de uma síndrome respiratória aguda grave. O resultado do teste para comprovar se a morte pode ter sido causada pela Covid-19 ainda não ficou pronto. Desesperada, a família teve ainda que esperar mais de 12 horas após o óbito pelo transporte do corpo pelo serviço funerário municipal, que estaria sobrecarregado.
Vídeo – Brasil ultrapassa o número de mortes na China, mas Bolsonaro faz piada
As denúncias sobre o suposto caos funerário chegaram à Defensoria Pública Estadual do Pará. “Já houve um aumento exponencial de mortes”, diz a defensora Rossana Parente Souza sobre os impactos da pandemia na capital paraense. “Os números oficiais não estão acompanhando o que está acontecendo na realidade.”
