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O vírus e os números

Reunião do Conselho de Governo

Reunião do Conselho de Governo tem por objetivo fazer um balanço do combate ao coronavírus/Reprodução vídeo

Não poderia ter sido pior a repercussão em torno da decisão do governo federal de restringir a divulgação de casos de Covid-19 em todo o país. Com a pandemia avançando a passos largos pelo território nacional, a medida apenas criaria um obstáculo extra no combate à doença.

A reação foi imediata e o ministério da Saúde foi obrigado a recuar, após se ver pressionado por todos os lados. A começar pela chamada grande imprensa, que anunciou de imediato a formação de um pool inédito para apurar os números de novos casos e do acumulado em todo o Brasil – grande imprensa, diga-se, um dos principais alvos da administração Bolsonaro.

O mundo político também reagiu com veemência. Do Congresso Nacional aos governadores, as críticas foram generalizadas. A cereja do bolo foi a liminar concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, obrigando o governo a retomar a divulgação dos dados da Covid-19. Moraes, como se sabe, é outro desafeto do Planalto.

Mesmo instituições internacionais de prestígio, como a OMS e a Universidade Johns Hopkins, questionaram o movimento do governo. Nesse quesito, o Brasil apenas reforça seu isolamento na cena global.

Por fim, foi simbólica a fala do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Em entrevista a uma emissora de televisão, ele qualificou a decisão de Bolsonaro como “burra e tacanha”, com potencial para agravar ainda mais um quadro já dramático. O ex-titular da pasta é mais um a se aliar, em definitivo, aos críticos do governo.

Em resumo, quando o país ultrapassa os 700 mil casos de Covid-19, com mais de 35 mil óbitos, a movimentação do governo foi no mínimo temerária. Bolsonaro atraiu, talvez involuntariamente, todas as atenções para si e, além disso, escancarou as fragilidades do atual comando da Saúde, hoje dominada por militares. No combate ao vírus, transparência e informação são armas preciosas.

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