A se confirmar a indicação do atual secretário estadual de Educação do Paraná, Renato Feder, para substituir Abraham Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro poderá gerar novo mal estar no governo. O assunto ganhou força nas últimas horas.
A rigor, o perfil do potencial novo ministro se encaixa à perfeição ao desejado pelo titular do Planalto. Empresário paulista, ex-professor de matemática, ligado à comunidade judaica, Feder defende o modelo de escolas cívico-militares. Além disso, é filiado ao PSD – e aqui está o grande nó a ser desatado.
O PSD, como se sabe, integra o Centrão, o bloco suprapartidário que tem em suas fileiras mais de duzentos deputados e está aos poucos ingressando no governo. Além dele, legendas como o PTB, o PL, o PP e o Republicanos fazem parte do grupo.
O “x” da questão é o desequilíbrio na distribuição (legítima, diga-se) de cargos entre os partidos do bloco. Com Feder na Educação, o PSD comandará duas pastas de peso – ele já está à frente do recém-recriado ministério das Comunicações. A participação da legenda na atual administração seria muito grande em comparação aos demais.
Certamente, o ganho de musculatura política do PSD gerará desconforto em seus pares. Afinal, os outros partidos foram aquinhoados com cargos de relevo em estatais e também em ministérios, mas nenhum, até agora, comandará uma pasta – ou duas, no caso. Como Bolsonaro fará para conter danos em potencial?
É interessante registrar aqui recente declaração do presidente nacional do PSD, o ex-prefeito e ex-ministro Gilberto Kassab. Em entrevista publicada no último final de semana, ele afirmou que seu partido “não está no governo, pois a nomeação de Fábio Faria (Comunicações) é da cota pessoal do presidente”. Difícil será explicar isso para os presidentes e líderes das outras legendas.
Enfim, Bolsonaro se aproximou do Centrão para ter apoio (e votos) em um possível processo de impeachment. Ao dar mais espaço a um partido em detrimento dos demais, ele poderá criar um novo problema para si próprio. O Centrão é um bloco pragmático por natureza. Assim como entrou no governo, poderá deixá-lo a qualquer momento.
