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Comida, custo de vida e política

Bolsonaro economia américa latina

Bolsonaro não se sensibiliza com as vítimas/Arquivo

Texto de André César

O bolso é a parte mais sensível do corpo humano. Essa frase pode até ser clichê, mas contém uma verdade. O poder aquisitivo é elemento fundamental no processo de tomada de decisões políticas de um indivíduo. Nas palavras de um assessor do então candidato a presidente Bill Clinton, “é a economia, estúpido!”.

Entramos aqui na questão envolvendo o aumento significativo dos preços de produtos essenciais, entre eles o arroz. Em 2020, até o momento, o reajuste nos preços do produto está próximo a 20%. Outros itens da cesta básica, como óleo de soja, leite e feijão, também subiram muito. A população como um todo sente a queda no poder de compra e isso tem consequências políticas imediatas.

A grita geral era inevitável e a pressão chegou rapidamente ao Planalto. Aqui, o presidente Jair Bolsonaro novamente mostrou seu lado intervencionista – por intermédio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), obrigou supermercados e produtores a explicar o aumento nos preços da cesta básica. Pesadas multas poderão ser aplicadas caso as explicações não sejam satisfatórias.

Pegos de surpresa com a ação do Planalto, os chamados “liberais” do governo, notadamente os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Agricultura, Tereza Cristina, mais uma vez veem suas posições colocadas em xeque.

As duas pastas trabalhavam em ações de mercado contra a alta de preços. Entre as medidas está a suspensão do Imposto de Importação do arroz, anunciada na quarta-feira, 9 de setembro. A decisão, em tese, aumentará a oferta do produto e, assim, o preço recuará.

Há quem enxergue na ação presidencial um primeiro passo em direção ao tabelamento de preços. Ainda é cedo para se fazer qualquer afirmação nesse sentido, mas o fato é que a ideia é bem vista por alguns integrantes do governo.

Explicações não faltam para o aumento expressivo dos preços da cesta básica – oscilações comuns em um mercado livre, problemas de safra, maior consumo das famílias decorrente do auxílio emergencial do governo, etc. Na ótica do cidadão, o que importa é que ele continue tendo condições de colocar comida na mesa da família. Simples assim.

Ao presidente Bolsonaro interessa manter a trajetória ascendente de sua popularidade. Ruídos políticos gerados por uma alta expressiva nos preços dos alimentos precisam ser eliminados rapidamente. A qualquer preço.

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