Ícone do site Misto Brasil

O consenso se forma devagar

mídias digitais

A mídia supostamente trava uma guerra com o presidente Jair Bolsonaro/Arquivo

Texto de Maya Félix

Rádios, TVs e outras mídias adotam o dito popular: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

De início, a maioria das pessoas desconsidera as notícias negativas sobre o presidente da República. Afinal, há fatos que mostram exatamente o oposto. A questão é que a mídia não mostra fatos, mas os insinua. E, por meio da insinuação e da construção de um perfil negativo, os fatos assumem a condição de “provável verdade”, ainda que não haja nenhuma prova dessas “verdades”.

A questão é que a mídia não acusa frontalmente, mas insinua tanto, e associa intermitentemente a imagem do presidente a conceitos ruins, que as insinuações, no pensamento das pessoas, passam a ser “muito provavelmente verdade”.

Desta forma, de nada adianta o governo federal provar que enviou bilhões em recursos ao estado do Amazonas, se o presidente é chamado de “genocida” pela quinquagésima vez, ainda que os sujeitos desses discursos se revezem: tanto o chamam de genocida como desejam sua morte, das piores formas possíveis. Ora, para que uma pessoa seja tão detestada, e por tantas outras, de jornalistas a governadores, artistas, blogueiros, professores universitários, formadores de opinião etc, é porque provavelmente ela é culpada de alguma coisa, ainda que não se saiba exatamente do quê.

Ora, ele é um “genocida” porque não fez nada para ajudar o estado do Amazonas. Não adianta o presidente comprovar que o governo federal enviou bilhões em verbas públicas para o combate à pandemia: “o presidente não faz nada, não age.” Não adianta se provar que o STF proibiu o chefe do Executivo de interferir nas políticas públicas para a saúde em relação à pandemia, concedendo a estados e municípios total – total – autonomia de ação: no final das contas, Bolsonaro “provavelmente” fez alguma coisa de muito errada, mesmo tendo sido impedido de atuar nos estados e nos municípios. Restou-lhe enviar muito dinheiro a estados e municípios. O dinheiro que pela corrupção não estava mais fluindo, veio pela necessidade de se “administrar” a pandemia.

Há provas de desvio e de corrupção em praticamente todos os estados brasileiros. Contudo, a mídia não mostra os fatos, minimizando uma série de questões graves que ficam em segundo plano nesta discussão. Nem mesmo se questiona por que os hospitais de campanha, caros, dispendiosos, foram rapidamente desmontados.

Esses são fatos que não ocorrem a ninguém se o argumento emocional (argumento ad passiones) do “genocida” toma conta do debate, por sua insistência (argumento ad nauseam) , pelos múltiplos sujeitos que o trazem à sociedade (argumento ad populum), pelo poder midiático que os sujeitos desses discursos têm (argumento de autoridade) etc.

Não há lógica nas acusações de que o presidente é responsável pelo que infelizmente ocorre em Manaus. O que há é uma boa engenharia discursiva que manipula opiniões e “constrói” novos argumentos (indefensáveis) sobre antigas falácias. Então, o presidente seria um “genocida” porque ele é o responsável pelas mortes em Manaus (argumento já aceito como verdade).

Sair da versão mobile