Ícone do site Misto Brasil

Google pode ser substituída na batalha pela feed de notícias

Google sede Misto Brasília

Google passou a ser uma plataforma gigante de publicidade/Arquivo/Divulgação

Compartilhe:

Texto de Karla Pequenino

Com a Google ameaçar sair da Austrália, a Microsoft mostra-se preparada para ocupar o seu lugar com o motor de busca Bing. Esta semana, o presidente executivo da Microsoft, Satya Nadellae o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, falaram por videoconferência para debater a possibilidade.

“A Microsoft está bastante confiante”, assegurou Morrison em declarações ao Clube de Imprensa Nacional da Austrália, esta segunda-feira, 1 de fevereiro.

Em causa está a ameaça da Google deixar o país se a Austrália avançar com legislação para obrigar gigantes tecnológicas a pagar pelo conteúdo noticioso que usam. Há meses que o governo australiano está a tentar definir legislação, sob forma de um código, para obrigar as grandes empresas tecnológicas a pagar às organizações de comunicação social pelos excertos das notícias que apresentam. Isto inclui, por exemplo, as primeiras frases de uma notícia que se podem ler do motor de busca da Google.

O objetivo é permitir às organizações noticiosas na Austrália negociarem um pagamento justo pelo trabalho dos jornalistas que aparece na Internet.

Na primeira fase do código, porém, apenas o motor de busca da Google e o feed de notícias do Facebook seriam afetados. Insatisfeita com a possibilidade, em janeiro a Google ameaçou suspender o seu motor de busca na Austrália. E o Facebook disse que iria remover notícias do feed do governo australiano.

Esta segunda-feira, Morrison avisou que as ameaças não vão surtir efeito, notando que “um ambiente de comunicação social sustentável” é “vital para o funcionamento das democracias.”

No entanto, embora o Bing (da Microsoft) seja o segundo motor de busca mais utilizado na Austrália, tem uma quota de mercado de 3,6%, de acordo com dados do serviço de estatística Statcounter. O Duck Duck Go Go, outra alternativa à Google que não recolhe nem partilha dados dos utilizadores, não chega a 1%. A Google tem 95%.

A Microsoft confirma as conversas com o governo australiano, mas recusa-se a comentar a controvérsia. “A Microsoft não está diretamente envolvida e não quer comentar esse processo”, lê-se num comunicado enviado à comunicação social. “Nós [na Microsoft] reconhecemos a importância de um sector de comunicação vibrante”.

​O Público tentou contatar a Google para mais informações sobre o ponto da situação na Austrália, mas não obteve resposta até à hora de publicação desta notícia.

(Karla Pequenino trabalha no Público, onde foi publicado originalmente esta reportagem)

Sair da versão mobile