Texto de André César
É fato que a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulando as condenações do ex-presidente Lula relacionadas à Lava Jato, foi o fato político mais importante dos últimos meses. Muita tinta tem sido gasta para analisar as consequências do evento, e nesse pequeno artigo o foco será a opinião pública.
De certo modo, a possibilidade do petista disputar a sucessão presidencial em 2022 dá um alento ao eleitor contrário à gestão Bolsonaro mas igualmente insatisfeito com os nomes hoje apresentados como pré-candidatos. Lula, inegavelmente, mudou o jogo, mesmo que temporariamente.
A mais recente pesquisa XP/Ipespe atesta esse quadro. O levantamento, realizado entre 9 e 11 de março, mostra que o ex-presidente seria hoje um candidato competitivo. Na pesquisa espontânea, ele teria 17% dos votos, contra 25% do até agora favorito Bolsonaro. Um detalhe – na última pesquisa, ocorrida em fevereiro, Lula aparecia com apenas 5% das citações, enquanto o titular do Planalto tinha 21%. Outro fato que chama a atenção diz respeito aos que não sabem ainda em quem votarão, que caíram de 49% para 35%.
Na pesquisa estimulada, o resultado é ainda mais animador para o petista. No principal cenário, Bolsonaro tem 27% das intenções de voto, e Lula 25%. Os demais postulantes tornaram-se meros coadjuvantes de baixíssima expressão.
Para piorar o quadro de Bolsonaro, a avaliação de sua administração segue em queda. O “ruim e péssimo” passou de 42% para 45%, enquanto o “bom e ótimo” oscilou de 31% para 30%.
Quando se analisa especificamente a atuação do governo na pandemia, o quadro é pior – o “ruim e péssimo” saltou de 53% para 61%, e o “bom e ótimo” caiu de 22% para 18%. Esses números ajudam a explicar as recentes tentativas do Planalto de mudar o discurso com relação ao combate à COVID-19. Uma alteração de rota possivelmente tardia.
O resumo da ópera é claro: com Lula, o jogo é outro. Confirmada a presença do petista na disputa, Bolsonaro precisará rever toda sua estratégia. Pior ainda para os nomes de centro, hoje perdidos em meio a disputas de ego e ausência de discurso e de projeto. A chamada “frente democrática” atravessa dias difíceis.
As peças se movem com velocidade no xadrez da política.
