Sob pressões do governo, o Banco do Brasil é uma das estatais que passam por um período de instabilidade devido a incertezas sobre os caminhos de sua gestão. Nesta semana, mais dois executivos do BB decidiram entregar seus cargos.
No final do mês passado, o experiente André Brandão deixou a presidência do Banco do Brasil devido a críticas do presidente da República, Jair Bolsonaro, à sua gestão. Mais especificamente, aos planos de fechamento de agências e de demissão voluntária. Junto com Brandão, dois conselheiros decidiram entregar seus cargos.
No início deste mês, Fausto de Andrade Ribeiro assumiu o comando do BB sob desconfianças de parte do corpo funcional e também do mercado. Menos de duas semanas depois, o banco comunica a renúncia de mais dois alto executivos: Carlos José da Costa André, vice-presidente financeiro e de relações com investidores, e Mauro Ribeiro Neto, vice-presidente corporativo.
Embora a instituição afirme que as duas novas baixas tenham sido motivadas por questões pessoais, a economista Maria Beatriz de Albuquerque David, professora da Faculdade de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), vê uma ligação forte entre essas saídas e as críticas enfrentadas pelo novo presidente do Banco do Brasil.
Considerando a visão corporativa do BB, segundo Albuquerque, a indicação de Fausto Ribeiro para chefiar a empresa pode ser comparada a colocar no comando do Exército Brasileiro um general “que não tivesse atingido todo o pico da carreira” (um general de brigada por exemplo). E a própria trajetória de Ribeiro, segundo ela, não seria uma trajetória muito brilhante. Mas já era de se esperar, ela pontua, que haveria ajustes.
A analista acredita que, “dificilmente, teremos mudanças muito abruptas em juros de curto e longo prazo”, uma vez que esses sinais de mudanças no BB já estavam acontecendo desde o início do ano e que pressões já eram observadas desde 2020, de maneira que “o mercado já internalizou que as mudanças estruturais (e o BB poderia se enquadrar em parte delas) estão muito difíceis de sair do papel, e, por isso, os planos do governo não sofrem tantas alterações”. (Da Agência Sputnik Brasil)
