Em pronunciamento na tarde desta quinta-feira (29), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a culpar a falta de clareza nas informações prestadas pelos desenvolvedores da Sputnik V pela decisão de negar a importação da vacina russa.
Na última segunda-feira (26), a Anvisa negou um pedido de importação emergencial da vacina Sputnik V feito por 14 estados brasileiros, afirmando que um dos adenovírus usados como vetores no imunizante teria conservado sua capacidade de replicação.
Sputnik vai processar a Anvisa por suposta difamação
A decisão frustrou autoridades de diferentes níveis de governo no país, que já contavam com a chegada do imunizante russo para acelerar suas campanhas de vacinação contra a Covid-19.
Na terça-feira (27), o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo) afirmou acreditar que a decisão da Anvisa poderia ter motivações políticas. E, hoje (29), mais cedo, o fabricante da vacina informou que estava “iniciando um processo judicial de difamação” contra a agência reguladora brasileira “por espalhar informações falsas e imprecisas intencionalmente”.
No pronunciamento desta tarde, o diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres, negou que a agência estivesse espalhando informações falsas sobre o imunizante russo, destacando que a presença de adenovírus replicantes na vacina teria sido notada nos próprios documentos enviados pelos fabricantes ao Brasil.
A vacina Sputnik V utiliza como vetores dois adenovírus — que, em humanos, são causadores de resfriado —, o Ad5 e o Ad26. Técnicos da agência de vigilância afirmaram ter constatado que o Ad5 havia conseguido se recombinar e recuperar a capacidade de se replicar. Os responsáveis pela vacina, no entanto, negam a presença de adenovírus replicante e criticam a Anvisa por ter afirmado isso sem ao menos ter realizado um teste com o imunizante, como confirmado pelo gerente de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes Lima Santos.
