“Surreal”, “escárnio”, “descaso e insanidade”, esses foram alguns termos verbalizados por senadores após a decisão do governo federal de receber o torneio da Copa América no Brasil em meio à pandemia da Covid-19. Há pouco, o o ministro-chefe da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, afirmou que se a competição for realizada no Brasil, não haverá público. Até agora estão confirmadas 10 equipes em dois grupos. “É um evento totalmente privado”, afirmou.
Na mesma entrevista, o secretário nacional de Esporte do Ministério da Cidadania, João Marcelo, o país foi “demandado” pela CBF. Ainda não foram definidos os locais das competições. O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, poderá sediar alguns jogos.
Após divulgar nesta segunda-feira (31) que o Brasil sediará o campeonato da Copa América, políticos que participam da CPI da Covid teceram diversos comentários condenando a decisão do governo federal de realizar o torneio no auge da pandemia do coronavírus no país. O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), criticou fortemente a resolução e chamou o campeonato de “campeonato da morte”.
“Com mais de 462 mil mortes sediar a Copa América é um campeonato da morte. Sindicato de negacionistas: governo, Conmebol e CBF. As ofertas de vacinas mofaram em gavetas, mas o ok para o torneio foi ágil. Escárnio”, disse o relator citado pelo G1.
‘Enquanto o povo cobra movimentos do governo no caminho da vacinação, Bolsonaro dá mais uma demonstração de descaso e insanidade confirmando a Copa América no Brasil. Os governadores devem se posicionar no sentido contrário. É mais um grande absurdo desse governo”, disse senador Humberto Costa (PT-PE).
“Surreal que um governo que ignora compra de vacinas numa pandemia mundial responda tão rapidamente a um pedido de realização de evento internacional no país. A Copa América no Brasil é um deboche e um desrespeito com as 460 mil famílias em luto no país”, afirmou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).
Já o vice-presidente, Hamilton Mourão, após ser indagado por repórteres sobre a decisão, disse que o torneio no Brasil vai expor menos riscos do que se fosse realizado na Argentina. “Vamos dizer o seguinte, que é menos…. Não é que seja mais seguro, é menos risco. Não é mais. É menos. O risco continua”, disse Mourão, registrou a agência Sputnik.
