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Desafios da indústria passa por investimento e consumo interno

Atividade econômica mulheres

Setor da indústria está otimista com a economia, mas é preciso se atualizar/Arquivo/Agência Brasil

A elevada carga tributária e a taxa de câmbio fecham o pódio de principais entraves

Uma pesquisa divulgada na semana passada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que os efeitos da pandemia do novo coronavírus têm impactado forte a oferta de insumos para o setor, fazendo com que a falta e o alto custo das matérias-primas fossem citados como o principal problema das indústrias no segundo trimestre de 2021.

“A combinação de atividade aquecida e estoques limitados faz com que a falta ou o alto custo das matérias-primas continue a ser o problema mais assinalado pelos empresários industriais entre [os problemas] enfrentados no segundo trimestre de 2021. Embora o percentual de assinalações tenha recuado na comparação com o trimestre anterior [de 67,2% para 63,8%], é o quarto trimestre consecutivo em que esse é o problema mais selecionado”, afirma comunicado da CNI.

A elevada carga tributária e a taxa de câmbio fecham o pódio de principais entraves enfrentados pelo setor no país, citados, respectivamente, por 34,9% e 23,2% das indústrias pesquisadas.



Para discutir o atual momento da indústria nacional, os desafios do setor em uma economia pós-pandemia e como o governo federal pode mitigar os impactos da crise, a Sputnik Brasil conversou com a economista Juliana Inhasz, coordenadora do curso de graduação em Economia do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

“O consumo de boa parte dos produtos caiu bastante. Essa queda fez com que muita indústria se desarticulasse, muita gente parou de produzir como produzia antes. Muita empresa quebrou e quando todo mundo quis retomar sua produção e procurou insumos, esses insumos não estavam disponíveis. Isso fez com que os preços disparassem. Os preços disparam porque há uma produção menor”, começa por explicar a especialista.

A professora do Insper acrescenta que a desvalorização do real também é um elemento a ser levado em consideração, uma vez que os produtores de insumos brasileiros acabam despertando o interesse das cadeias produtivas internacionais, que também se desarticularam e viram o custo das matérias-primas locais subirem bastante. Por isso, eles têm buscado suprir essa deficiência de insumos em outros lugares onde a moeda deles está mais valorizadas, como no Brasil.



Juliana Inhasz comenta que há anos não ocorre um investimento adequado na indústria nacional, que possui uma tecnologia bem inferior ao que deveria ter. Para piorar, com o encarecimento das matérias-primas, os produtos nacionais vão sofrer ainda mais concorrência internacional.

“Ainda que o dólar permaneça muito valorizado, em algum momento o preço do produto doméstico vai encostar no preço do produto externo. É óbvio que muita gente vai preferir comprar produtos de fora. Então isso coloca uma limitação dentro do crescimento da indústria nacional. A gente está colocando a indústria nacional dentro de uma gaiola e impedindo que ela cresça. Porque esse mecanismo vai fazer com que a gente tenha dificuldades para crescer, capitalizar essa indústria, para ela ter lucro, para gerar incentivos a novos investimentos na indústria”, alerta a economista.


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