Os motivos são políticos e econômicos, mas a principal razão é o preço do litro do diesel
Lideranças de caminhoneiros voltaram a ameaçar com uma nova paralisação da categoria a partir do dia 6 de setembro e manifestações no dia 7 de setembro, data em que é comemorado a independência do Brasil. Os grupos de mensagem das redes sociais, entre as quais WhatsApp e Tik Tok, começaram a receber mensagens convocando os motoristas para esse movimento.
Num desses grupos, uma liderança da Bahia sugere à população que comprem alimentos para não faltar assim que a greve for deflagrada. Os motivos são diferentes para diferentes grupos. Num deles, bolsonarista, promete parar o país “porque a ameaça comunista é muito maior que vocês imaginam”. E promete parar o protesto quando todos os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal forem apeados dos cargos.
Em outro grupo, o motivo da paralisação é menos político e mais econômico. Reclamam dos consecutivos aumentos dos preços dos combustíveis. Assim, o movimento não é a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas um protesto contra o governo.
No mês passado, houve uma tentativa de paralisação no Rio Grande do Sul contra o reajuste do diesel. O movimento fracassou. Os empresários do setor não aderiram e somente os caminhoneiros autônomos não tiveram como parar as atividades.
No dia 27 de julho, o presidente do Sindicato de Caminhoneiros Autônomos de Ijuí (RS), Carlos Alberto Litti Dahmer, disse que as empresas “furaram a paralisação”, obrigando os motoristas empregados a trabalharem, e o movimento começou a perder força.
O Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) lançou uma nota em que diz que está preocupada com os reajustes. Essa entidade é uma base do bolsonarismo e foi responsável pela mobilização dos caminhoneiros em 2018.
Na época, Michel Temer (MDB) ocupava na Presidência e Bolsonaro fazia campanha eleitoral. Em abril de 2019, houve uma nova tentativa de paralisação nacional, também capitaneada por simpatizantes do presidente. Nos últimos dois anos houve diversas ameaças, mas não teve a repercussão.
No movimento que deixou o país paralisado por mais de duas semanas em maio de 2018, o motivo também foi o preço do diesel. O litro custava R$ 2,93. Atualmente, a média é de R$ 4,30. Segundo os caminhoneiros, o valor pago pelo quilômetro do frete transportado é o mesmo de três anos.
