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Terceira via do Fascismo: viramos hominídeos

Manifestação contra o fascismo Brasil

Manifestação contra o fascismo reúne especialmente jovens no Brasil/Arquivo;El País

A transmutação constitucional não tem limites no país, exatamente porque sempre foi a primeira via

Texto de Vinício Carrilho Martinez

Uma descrição possível do Fascismo revela um projeto político aniquilador da Polis e propício ao controle social da classe trabalhadora, como uma subjugação total.

Tecnicamente, esse processo implica na corrupção completa da dominação racional-legal, impondo-se o retrocesso civilizatório, na forma de “dominus”: relações humanas coisificadas.

Uma diferença do modelo fascista clássico, do século XX, está na privatização incessante do público. Há a tentativa de um “corporativismo”, com Estado-Força.

Entre nós, esse ataque às instituições públicas, à Constituição e ao Poder Público segue a cartilha neoliberal: “o mercado sem livre concorrência”.

As reformas trabalhistas e previdenciária, terceirizando a dignidade da classe trabalhadora, são exemplos que confirmam esse tipo de 3ª via do Fascismo.

No Brasil, ela esteve presente nas revoluções coloridas juvenis de 2012-2013; além de ter sido fundamental no golpe de 2016 e praticado o “voto nulo, inútil” em 2018, em Paris, na Faria Lima, no Leblon.



Ou seja, de alternativa, a terceira via não tem nada (para os interesses do povo). Ela nunca será o “potestas in populo”.

Note que, no dia 10/08/2021, em meio ao “voto impresso”, passaram a boiada da redução salarial.

Assim, mais uma vez, como fizera Temer, corrompeu-se o art. 7° da CF88, além de todos os outros.

A transmutação constitucional não tem limites no país, exatamente porque sempre foi a primeira via – desde a ementa negativa aos direitos sociais e a imposição da emenda da reeleição.

Desse modo, sob a lógica do “mercado livre, sem concorrência e sem espaço público”, quer dizer, sem direitos à classe trabalhadora, sem direito de protestar – Borba Gato é rei –, a 3ª via do Fascismo torna-se uma alternativa ao irracionalismo vulgar dos dias atuais. Só isso.

Mas só isso mesmo, como se ocorresse uma sobreposição do branqueamento de raças, escondendo-se o conhecido capitão do mato ocupante do poder.



Enfim, a terceira via do Fascismo é a mesma que coloca ofendículos embaixo dos viadutos, na capital paulista, para impedir o sono dos miseráveis; é a mesma que condena publicamente a doação de alimentos aos famélicos.

É a terceira via do Fascismo que se apresenta como alternativa ao capital de barbárie, uma vez que que a primeira via falhou (o eleito em 2018 destruiu a economia), assim como a segunda: o golpe de tanques que virou fumacê.

Efetivamente, ao povo, à classe trabalhadora, aos oprimidos e banidos da vida econômica, só interessa uma via: a que retome a dignidade humana e a Justiça Social.

Se assim quisermos, podemos chamar de socialismo democrático.

É a única via que poderá, efetivamente, retirar-nos do tempo das cavernas.

(Vinício Carrilho Martinez é avogado e professor da UFSCar)


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