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Brasil acelerou produção de CO2 durante a pandemia

Desmatamento floresta Amazônica Misto Brasília

Empresas estão preocupadas com um projeto que pode acelerar o desmatamento na Amazônia/Arquivo/Outside

O movimento contrário à tendência mundial tem uma fonte determinante: o desmatamento

Num ano marcado pela pandemia de Covid-19, em que os motores das maiores economias desaceleraram, o Brasil intensificou sua carga de poluição lançada na atmosfera. As emissões brutas de gases de efeito estufa do país em 2020 chegaram a 2,16 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2e), um aumento de 9,5% em relação ao período anterior. É o maior nível desde 2006.

Isso ocorreu enquanto média global de emissões sofreu uma redução de 7%, por causa das paralisações de voos, serviços e indústrias ao longo do ano passado por causa pandemia.



O movimento contrário à tendência mundial tem uma fonte determinante: o desmatamento. Quando ele sobe, o que foi verificado no ano analisado, o reflexo nesse cálculo é imediato. Os gases que o desmatamento provoca, atividade classificada como mudanças do uso da terra, são responsáveis pela maior parte das emissões brasileiras, 46% do total (998 milhões tCO2e).

“Os gases de efeito estufa lançados na atmosfera pelas mudanças do uso da terra aumentaram 23,6% no ano passado”, ressaltou Tasso de Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, que apresentou o novo levantamento nesta quinta-feira (28/10).

Os dados brasileiros são divulgados num momento em que o mundo se esforça para diminuir a poluição de CO2 num cenário de avanço rápido das mudanças climáticas, comenta Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo e um dos autores do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).



“É um aumento muito expressivo. Isso vai trazer uma pressão monstruosa sobre o Brasil nessa conferência do clima”, pontua Artaxo, mencionando a 26º edição da reunião organizada pela  Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCC), que começa no próximo domingo, em Glasgow.

“Ninguém vai querer dar dinheiro para o Brasil, ninguém vai querer pagar para um país aumentar a sua principal fonte emissora, que é o desmatamento”, analisa Artaxo, fazendo referência a doações internacionais feitas ao país pela redução da destruição da Floresta Amazônica – como ocorria com o Fundo Amazônia, suspenso sob a administração Bolsonaro, informou a Agência DW.


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