No acidente provocado pela Vale, 600 mil pessoas foram atingidas e 264 foram mortas
No dia 25 de janeiro, o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho (MG), completará três anos. Ao todo, foram 264 pessoas mortas em decorrência do rompimento da barragem. Seis vítimas ainda continuam desaparecidas. Ainda assim, são 36 meses de um crime ambiental que ainda segue impune.
Confira especial completo do Greenpeace Brasil
A barragem rompida apresentava um volume de 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Essa grande quantidade de rejeitos, somados à velocidade em que foram liberados, destruiu grande parte da vegetação e da fauna locais.
Segundo dados do Ibama, houve a perda de cerca de 134 hectares de florestas nativas de Mata Atlântica, o equivalente a 153 campos de futebol e 70,65 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo de cursos d’água afetados pelos rejeitos de mineração.
Nos mais de 300 km do Rio Paraopeba analisados pela SOS Mata Atlântica (desde a região de Córrego do Feijão até o reservatório de Retiro Baixo, em Felixlândia), a água estava imprópria, sem condições de uso. A organização também verificou que os rejeitos contaminaram até o Rio São Francisco, um dos mais importantes do Brasil.
Ao menos 17 municípios no entorno do Rio Paraopeba foram afetados, atingindo cerca de 600 mil pessoas. Os povos originários da região também foram impactados.
Na aldeia Naô Xohã, que conta com indígenas das etnias pataxó e pataxó hã-hã-hãe, enquanto alguns permanecem no território, outros se deslocaram para os centros urbanos em razão do risco de contaminação. Há ainda dezenas de indígenas que lutam para serem reconhecidos como atingidos e que exigem que a Vale S/A pague os valores emergenciais, além de garantir a realocação das famílias para um novo território.
