Recebeu também um bônus de contratação de 150 mil dólares, segundo o próprio presidenciável
Depois de semanas de especulações, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sergio Moro, finalmente revelou a quantia que recebeu por serviços prestados para a consultoria americana Alvarez & Marsal.
Em uma transmissão ao vivo na internet nesta sexta-feira (28), o pré-candidato à presidência pelo Podemos disse que recebeu aproximadamente 3,7 milhões de reais para trabalhar como consultor do braço investigativo da empresa, informou a DW.
Moro disse que seu pagamento mensal era de 45 mil dólares (cerca de 241 mil reais), o que, com os descontos, daria 24 mil dólares (128 mil reais), além de um bônus de contratação de 150 mil dólares. Segundo afirmou, ele devolveu 67 mil reais à empresa por ter encerrado o contrato antes do tempo.
O contrato com a Alvarez & Marsal foi assinado sete meses depois de Moro ter deixado o Ministério da Justiça, após uma série de desavenças com o presidente Jair Bolsonaro, a quem acusou de interferir na Polícia Federal.
Ele trabalhou para consultoria americana até em 31 de outubro de 2021, antes de se filiar ao Podemos e se lançar como pré-candidato à presidência da República.
Suspeita de conflito de interesses
A polêmica em torna da contratação, e pelo alto valor pago ao ex-juiz conhecido por sua atuação na operação Lava Jato, é justamente o fato de a Alvarez & Marsal ter sido nomeada para administrar a recuperação judicial de empresas que foram alvos dessa mesma operação, através de sentenças assinadas pelo próprio Moro.
O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou, em dezembro do ano passado, um procedimento para averiguar um possível conflito de interesse.
O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado busca esclarecer possíveis prejuízos aos cofres públicos, em razão de suspeitas de que tivesse ocorrido a prática conhecida como revolving door (porta giratória), ou seja, quando um servidor público atua na iniciativa privada na mesma área em que trabalhava anteriormente.
A consultoria americana se recusou a divulgar os valores pagos a Moro e tentou lançar mão de precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que o TCU obtivesse as informações.
A empresa enviou documentos ao TCU onde consta o recebimento de 42,5 milhões de reais em honorários de empreiteiras investigadas na operação Lava Jato no desenrolar dos processos de recuperação judicial. Essas empresas eram a OAS, o grupo Odebrecht e a Galvão Engenharia.
Em meio à suspeita de uma promiscuidade entre o juiz da Lava Jato e a consultoria encarregada da recuperação judicial das empresas, Moro assegurou que seus serviços não eram relacionados à atuação da ramificação brasileira do grupo americano e, portanto, não teriam ligação com os processos que coordenou quando juiz. Ele, porém, não revelou quais serviços teria prestado.
