Entre 2019 e 2021, o descarte saiu de 17,6 mil para 25,13 mil toneladas, segundo uma pesquisa da Oceana
A expansão do negócio de delivery provocou um novo conceito ao comércio, especialmente para a venda de comida, mas provocou também um efeito colateral. A consultoria econômica Ex Ante a pedido da Oceana, aponta que o consumo de itens de plástico descartáveis nesse segmento aumentou 46% entre 2019 e 2021.
Só em 2021, o montante gerado foi de 68 toneladas por dia ou 2,8 toneladas por hora.
O estudo inédito “O mercado de delivery de refeições e a poluição plástica”, indicou que no período o descarte saiu de 17,16 mil para 25,13 mil toneladas. Os setores de alimentação para viagem e hotelaria demandaram um total de 154,1 mil toneladas de embalagens e seis mil toneladas por ano de canudos, copos, pratos e talheres de plástico para este mesmo período.
“A pandemia nos impôs mudanças de hábitos e comportamentos da noite para o dia. Vimos o mercado de delivery ganhar espaço no cotidiano de muita gente. A pergunta que nos motivou se com todos esses pedidos usando tanto plástico descartável, como isso pode piorar uma situação já grave que enfrentamos com a poluição?”, pergunta o diretor-geral da Oceana no Brasil, oceanólogo Ademilson Zamboni.
“Mesmo que a redução dos pedidos de refeições esteja ocorrendo, sabemos que as empresas estão investindo em outras entregas, que também envolvem muito plástico — precisam aprender com o que houve e oferecer ao consumidor alternativas ao plástico”.
A produção nacional de plástico de uso único no Brasil é de 2,95 milhões de toneladas por ano. A maioria esmagadora é de embalagens (87%) e o restante de itens descartáveis (13%), como copos e canudos.
Alguns números da poluição
Por ano, o consumo desses itens de uso único bate o estratosférico número de 500 bilhões de unidades. Só em 2018, 10,1 milhões de toneladas de resíduos foram coletados. O Brasil polui o seu litoral com, no mínimo, 325 mil toneladas de resíduos de plástico. Em limpezas de praias, 70% dos resíduos coletados são de plásticos.
Cerca de 90% das espécies de aves e tartarugas marinhas já ingeriram plásticos. Esses detritos afetam 17% de animais listados como ameaçados ou quase ameaçados de extinção pela União Internacional para a Conservação para a Natureza (UICN).
