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EUA trava venda de mísseis ao Brasil por causa de Bolsonaro

João Roma, o presidente da República, Jair Bolsonaro, o ministros das Comunicações, Fábio Faria, e o presidente da Caixa, durante declaração à imprensa no Palácio do Planalto/Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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O processo para adquirir cerca de 220 mísseis foi iniciado quando Donald Trump era o presidente

Um pedido militar do Brasil para a compra de mísseis antitanque Javelin no valor de até 100 milhões de dólares (R$ 511 milhões) está parado em Washington há meses devido às preocupações de legisladores dos Estados Unidos quanto ao presidente Jair Bolsonaro, incluindo seus ataques ao sistema eleitoral brasileiro, disseram à agência de notícias Reuters várias fontes americanas.



O processo para adquirir cerca de 220 mísseis foi iniciado quando o ex-presidente Donald Trump, aliado de Bolsonaro, ainda estava na Casa Branca. O Departamento de Estado americano aprovou a proposta no final do ano passado, apesar das objeções de algumas autoridades americanas de baixo escalão, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto.

Mas, desde então, o acordo confidencial, que não foi divulgado anteriormente, ficou emperrado em um limbo processual em meio a preocupações crescentes entre os parlamentares democratas com os frequentes questionamentos de Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas e a segurança da eleição em outubro no Brasil, disseram as fontes.



O pedido do Brasil pelos mísseis fabricados nos EUA, que ficaram ainda mais famosos por seu uso efetivo pelas forças ucranianas contra blindados russos, acabou travado em um esforço liderado por democratas para enviar uma mensagem a Bolsonaro e aos militares brasileiros. “Está sendo deixado de lado no Capitólio e não vai a lugar nenhum tão cedo” por conta das incertezas sobre Bolsonaro, disse uma fonte que acompanha as negociações.

O entrave sublinha o impacto da retórica do presidente brasileiro e oferece um vislumbre de como o Brasil poderia ficar mais isolado internacionalmente se Bolsonaro seguisse o exemplo de Trump e se recusasse a aceitar uma derrota eleitoral para seu principal rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece em primeiro lugar nas pesquisas.

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