Ciro Gomes equilibrou seus ataques entre Lula e Bolsonaro e insistiu que os problemas do país não começaram nesta gestão
O primeiro debate televisivo entre os candidatos à Presidência da República de 2022, realizado neste domingo (28), foi marcado por troca de acusações entre o ex-presidente Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro, que por sua vez se tornou alvo central dos demais participantes.
Ouça o comentário do articulista do Misto Brasília Genésio Júnior
O candidato à reeleição pelo PL disse que o governo Lula foi o mais corrupto da história do país, e chegou a chamar o petista de “ex-presidiário” por mais de uma vez. Já o ex-presidente afirmou que Bolsonaro está destruindo o Brasil e age com descaso em relação a temas essenciais como educação e meio ambiente.
O debate – organizado pelo jornal Folha de São Paulo, o portal UOL e as emissoras Bandeirantes e Cultura – marcou o primeiro confronto direto entre o petista e o atual presidente, que são os primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro. Segundo o último Datafolha, Lula lidera com 47%, enquanto Bolsonaro tem 32%, e Ciro Gomes (PDT), 7%.
Além dos três, também participaram do debate os candidatos Simone Tebet (MDB), Felipe d’Avila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil). Não houve plateia.
Críticas a Bolsonaro
Com exceção de Ciro, que equilibrou seus ataques entre Lula e Bolsonaro e insistiu em declarar que os problemas do país não começaram nesta gestão, os demais presidenciáveis dirigiram suas críticas principalmente ao atual ocupante do Planalto. Por sua vez, Bolsonaro muitas vezes rebateu usando dados controversos e acusando seus adversários de proferir “fake news” a seu respeito.
Uma série de declarações polêmicas do presidente foram trazidas à tona, como um comentário recente sobre a fome no Brasil. Em entrevista na sexta-feira, Bolsonaro disse que não existe “fome para valer” no país, o que Ciro disse ter ficado chocado ao ouvir. “Aberrações que eu já ouvi do senhor”, afirmou o candidato do PDT. “Qualquer pessoa que conhece o Brasil, como eu conheço, vê nas ruas pessoas com placas pedindo comida.”
Bolsonaro respondeu dizendo que “cada um interpreta as informações como acha melhor”. Ele reconheceu que “alguns mais necessitados passam fome, mas não nesse número exagerado”, acusando o ex-governador do Ceará de “fazer demagogia” com números sobre a fome.
Tema das mulheres domina o debate
As duas senadores e únicas candidatas mulheres no debate trocaram declarações sobre os direitos femininos, que acabaram dominando grande parte do evento.
Tebet prometeu que, se for eleita, garantirá a paridade de gênero entre seus ministros. Lula, por sua vez, disse que não pode assumir o compromisso “numericamente”, mas afirmou que vai indicar “as pessoas que têm capacidade para assumir determinados cargos”.
Em um dos momentos mais tensos do debate, Bolsonaro atacou a jornalista Vera Magalhães, que havia feito uma pergunta sobre desinformação em relação às vacinas.
“Acho que você dorme pensando em mim, você não pode tomar partido num debate como esse. Vera, você é uma vergonha para o jornalismo“, declarou o presidente.
Em outro momento, Tebet disse que também foi alvo de violência política por parte do governo Bolsonaro, manifestou solidariedade à jornalista e acabou sendo também alvo do candidato à reeleição.
