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Nobel de Paz vai para um ativista e duas organizações civis

Nobel da Paz 2022 Ales Bialiatski

Ales Bialiatski está preso e hoje foi anunciado para receber o Premio Nobel da Paz/Arquivo/Divulgação

Divulgação do Prêmio Nobel da Paz aconteceu nesta sexta-feira pelos organizadores para honrar a democracia

O ativista de direitos humanos de Belarus Ales Bialiatski, o grupo russo de direitos humanos Memorial e a organização ucraniana Centro para Liberdades Civis ganharam o Prêmio Nobel de Paz deste ano. Segundo anunciaram os organizadores da premiação nesta sexta-feira (07), o trio foi escolhido “pelo direito de criticar o poder” e por “denunciar crimes contra a humanidade.



“O comitê do Prêmio Nobel quis honrar três campeões dos Direitos Humanos, da democracia e da coexistência pacífica nos países vizinhos Belarus, Rússia e Ucrânia. Eles honram a visão de Alfred Nobel sobre paz e convivência, uma visão tão necessária no mundo hoje”, declarou o comitê, de acordo com informações da Agência DW.

Ales Bialiatski, 60 anos, atualmente preso em Belarus, fundou a organização Viasna (Primavera) em 1996, para ajudar presos políticos e as suas famílias, na sequência da repressão do regime do presidente Alexander Lukashenko.

Bialiatski, segundo os organizadores da premiação “foi um dos fundadores do movimento democrático que surgiu em Belarus em meados da década de 1980 e dedicou a vida a promover a democracia e o desenvolvimento político no país de origem”.



A organização russa Memorial foi criada em 1987, para investigar e registrar crimes cometidos pelo regime soviético, mas tem denunciado violações de direitos humanos na Rússia. O comitê no Nobel lembrou que a entidade coletou e verificou informações sobre abusos e crimes de guerra perpetrados contra a população por forças russas e pró-russas. “Em 2009, a chefe da filial do Memorial na Tchechênia, Natalia Estemirova, foi morta por causa desse trabalho.”

O Centro de Liberdades Civis foi criado em Kiev em 2007, com o objetivo de promover os direitos humanos e a democracia na Ucrânia. “Ele assumiu a posição de fortalecer a sociedade civil ucraniana e pressionar as autoridades para tornar a Ucrânia uma democracia de pleno direito”, observa o comitê. O centro ucraniano “tornou-se uma fonte importante para documentar crimes de guerra cometidos pela Rússia e desempenha um ‘papel pioneiro’ na responsabilização dos culpados”.



Outros premiados com o Nobel neste ano

Seguindo a tradição, o Prêmio Nobel da Paz é o quinto anunciado todos os anos, após os de Medicina, Física, Química e Literatura.

Neste ano, o Nobel de Medicina premiou o biólogo sueco Svante Pääbo por suas descobertas sobre a evolução humana, enquanto o Nobel de Física foi para o francês Alain Aspect, o americano John Clauster e o austríaco Anton Zellinger por estudos de mecânica quântica.  Os americanos Carolyn Bertozzi e Barry Sharpless e o dinamarquês Morten Meldal levaram o Nobel de Química pelo desenvolvimento de uma ferramenta para a construção de moléculas.

Já a escritora francesa Annie Ernaux, de 82 anos, ganhou o Nobel de Literatura. Ela recebeu o prêmio pela “coragem e acuidade clínica com que revela as raízes, estranhamentos e inibições coletivas da memória pessoal”, afirmou a Academia. Ernaux é conhecida por seus romances autobiográficos e livros de memórias, em geral bastante curtos e baseados em experiências de classe e gênero. Ela é autora de mais de 20 livros.

 



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