A repercussão da partida de Pelé parece ter consolidado em definitivo a imagem de maior jogador de todos os tempos
A morte de Pelé, nesta quinta-feira (29), envolveu o mundo em uma onda de comoção. O sentimento atravessou gerações de ídolos do esporte, de Franz Beckenbauer a Kylian Mbappé, que reverenciaram o rei do futebol e lamentaram sua perda.
Alguns dos principais líderes globais, como Barack Obama, Joe Biden e Emmanuel Macron, também prestaram homenagens ao astro brasileiro.
No Brasil, a grandeza de Pelé foi lembrada por colegas da seleção tricampeã do mundo em 1970 e atletas em atividade, como Vinicius Jr. e Neymar. O atual dono da camisa 10 brasileira exaltou a relevância que o número adquiriu pela associação ao talento do ídolo.
No plano político, Bolsonaro e Lula enalteceram sua contribuição ao esporte e à imagem internacional do país, respectivamente. O atual presidente decretou luto oficial de três dias.
A repercussão da partida de Pelé parece ter consolidado em definitivo a imagem de maior jogador de todos os tempos. Foi esse o tratamento dado por grande parte da imprensa internacional, ainda que de forma mais tímida na Argentina.
O triunfo da seleção de Messi no Catar incitou debates sobre a hipótese de que o craque contemporâneo tivesse ultrapassado o brasileiro, em uma era de maior competitividade do futebol.
A dificuldade de estabelecer comparações entre atletas de épocas tão distintas é potencializada pelo longo tempo decorrido desde a aposentadoria de Pelé, há 45 anos. Ao longo de sua carreira, o nível técnico da transmissão e gravação de jogos evoluiu consideravelmente, mas a disponibilidade de imagens daquele período é muito restrita. Alguns de seus gols antológicos só são conhecidos por relatos de quem os presenciou.

Uma importante testemunha da carreira de Pelé é o jornalista João Máximo, de 87 anos, que começou a atuar na imprensa esportiva no início dos anos 1960.
Enquanto apreciador da beleza singular do futebol em diferentes épocas, ele se posiciona criticamente sobre a criação de rankings entre os jogadores. Mas derrete-se ao falar sobre as qualidades de Pelé em campo.
Mesmo sem adotar uma postura combativa no plano político, a representatividade de Pelé deixou um legado imensurável. Em um país forjado pela escravidão, a chegada de um menino negro e pobre ao estrelato abriu novos horizontes de possibilidades para seus pares.
O jurista Silvio Almeida, indicado por Lula para comandar o Ministério dos Direitos Humanos, exaltou no Twitter os caminhos inaugurados pelo jogador.
“Pelé foi a primeira coisa que me fez gostar do Brasil. Ver um homem negro e brasileiro, como eu, sendo indiscutivelmente o melhor no que fazia me fez acreditar que apesar de tudo, havia algo em que acreditar. Ele foi o sonho que se fez matéria. Obrigado, Pelé, obrigado Rei!”, publicou.