O governador reassumiu hoje pela manhã o cargo e falou sobre os episódios antidemocráticos do dia 8 de janeiro
Por Misto Brasília – DF
O governador Ibaneis Rocha terminou há pouco a sua entrevista coletiva depois de ter reassumido hoje (16) o governo do Distrito Federal, após 66 dias afastado por ordens do Supremo Tribunal Federal.
Ele disse que no dia 8 de janeiro, quando aconteceram os atos antidemocráticos, que houve “um grande apagão geral nas forças de segurança que não foi de graça”.
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O governador acredita que a CPI, instalada na Câmara Legislativa para apurar os fatos, “tem um grande papel de esclarecer esse apagão”. Para ele, a falta de ação aconteceu tanto por parte da Polícia Militar, pelo Exército, que tem um batalhão para cuidar do Palácio do Planalto, como nos outros órgãos de segurança.
“A Força Nacional não fez nada para impedir a depredação dos prédios públicos”, alfinetou. “Essas coisas devem ser passadas a limpo”.
Ibaneis disse que pode falar à CPI dos deputados distritais. “Pode ser aqui no meu gabinete”, sugeriu. A Comissão tem competência legal para convidar ou convocar o governador para depor.
O governador disse que por duas vezes o governo distrital tentou retirar o acampamento bolsonarista na frente do quartel general do Exército. E foi impedido pelo comando da Força. “Sabíamos que era um barril de pólvora“. Para Ibaneis, olhando para trás hoje é fácil de avaliar os acontecimentos.
Ibaneis disse que “não tenho nada a esconder” e lembrou que foi o primeiro a prestar depoimento voluntário na Polícia Federal e entregar os dois celulares quando retornou da sua fazenda no Piauí.
Sobre o ex-ministro Anderson Torres que estava no cargo de secretário de Segurança Pública no dia 8 de janeiro, o governador disse ele “gozava de minha confiança”. Ele afirmou que entendia que Anderson seria um bom secretário, já que tinha exercido essas mesmas funções entre 2019 e 2021.
“Na minha visão não foi culpa do Anderson” ao se referir a uma série de erros operacionais da Secretaria de Segurança Pública naquele domingo. “Foi um conjunto de erros. Um apagão geral”.
Sobre o presidente Lula da Silva (PT), o governador acha que ele fará uma “ótima administração” e que conversou com ministros durante o período de afastamento. Ibaneis disse que não falou com Lula desde que tomou posse no seu segundo mandato. O governador fez campanha para a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao responder a uma pergunta sobre mudanças no secretariado, Ibaneis Rocha afirmou que participa de um grupo político “muito forte” no Distrito Federal e que mudanças devem ocorrer até o fim do seu mandato. Ele elogiou o trabalho da vice-governadora, Celina Leão (PP) na interinidade do cargo de governadora.
