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Distrito Federal vai manter modelo de escola cívico-militar

CED 3 de Sobradinho escola cívico-militar Misto Brasília

CED 3 de Sobradinho com o modelo cívico-militar/Arquivo/Agência Brasília

A capital federal tem quatro escolas no programa do governo federal e outras escolas com gestão compartilhada com a PM

Por Misto Brasília – DF

O governo do Distrito Federal informou que vai absorver as quatro escolas que estão no Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim) do governo federal.

O programa será desativado pelo Ministério da Educação, mas aqui no Distrito Federal os custos com os militares da Polícia Militar serão pagos pela Secretaria da Educação.

Participam do programa federal, Centro de Ensino Fundamental 5 do Gama, Centro Educacional 416 de Santa Maria, Centro de Ensino Fundamental 507 de Samambaia e Centro de Ensino Fundamental 4 de Planaltina. O programa foi marcado com confusão.

Outras escolas tem o mesmo objetivo com a gestão compartilhada entre os professores e os militares, mas estão fora do Pecim. São elas, o CED 3 de Sobradinho, CED 1 da Estrutural, CED 7 de Ceilândia, CED 308 do Recanto das Emas, CED Condomínio Estância III de Planaltina, CEF 407 de Samambaia, CED 1 do Itapoã, CEF 19 de Taguatinga, CEF 01 do Lago Norte e CEF 1 do Riacho Fundo II e CEF 1 do Núcleo Bandeirante.

A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse, na tarde desta quarta-feira (12), que as escolas de gestão compartilhada com militares têm 87,7% de aprovação por pais e alunos e, por isso, o projeto vai continuar em Brasília. “[Há] Filas enormes para essas escolas”, afirmou a uma entrevista na TV Globo.

Modelo é questionado, mas também elogiado

A decisão do MEC que impacta cerca de 200 escolas nas cinco regiões do país, foi comemorada e criticada. Para alguns, o modelo precisa ser extinto e não está em conformidade com o papel da escola pública. Para outros, o modelo gera resultados e deve ser mantido.

Para a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a medida do Ministério da Educação é uma vitória, pois o modelo cívico-militar é “um modelo de escola que acaba privando os estudantes de ter liberdade de expressão”.

Para a presidenta da entidade, Jade Beatriz, o modelo “não apoia a formação do pensamento crítico e acaba excluindo uma parcela dos estudantes”.

O diretor do Colégio Estadual Beatriz Faria Ansay Cívico-Militar, em Curitiba, no Paraná, Sandro Mira, recebeu a notícia com preocupação. “Claro que não é uma notícia boa, visto que a implantação do programa foi uma grande vitória, um grande presente para nossa comunidade”, registrou a Agência Brasil.

De acordo com a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e integrante da Rede Nacional de Pesquisa em Militarização da Educação, Catarina de Almeida Santos, o modelo cívico-militar não está em conformidade com a legislação educacional, que não prevê, em lei, a atuação de militares nas escolas. E, além disso, segundo ela, é excludente.

Em nota técnica, em que analisa o programa, o MEC conclui que as características do programa e a execução, até agora, indicam que a manutenção não é prioritária e que os objetivos definidos para sua execução devem ser perseguidos mobilizando outras estratégias de política educacional.

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