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Fim das exportações de grãos da Ucrânia têm impacto no Brasil

Navio cargueiro Mar Negro Misto Brasília

A indústria naval brasileira vive um processo de fechamento/Arquivo/Reprodução Sputnik

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A cotação do trigo, do qual o Brasil é um grande importador, afeta diretamente o preço de produtos como pão e farinha

Por Misto Brasília – DF

A saída da Rússia do acordo que viabilizava a exportação, pelo Mar Negro, de grãos produzidos na Ucrânia pode ter um impacto global nos preços dos grãos que eram exportados, afetando também o Brasil.

De fato, os preços do milho e do trigo tiveram alta nas bolsas de valores internacionais na semana seguinte ao fim do acordo.

No caso do Brasil, à semelhança do início da guerra na Ucrânia, dois aspectos são lembrados: o possível impacto para o consumidor, com a inflação, e os possíveis efeitos para as exportações do agronegócio brasileiro, anotou a Agência DW.

Alimentação e bebidas representaram quase metade da inflação de 2022 no Brasil, que foi de 5,8%, segundo o IPCA. A situação melhorou em 2023, mas o fim do acordo de grãos tem potencial para mexer no mercado internacional, elevando preços de produtos agrícolas e gerando inflação – também no Brasil.

A cotação do trigo, do qual o Brasil é um grande importador, afeta diretamente o preço de produtos como pão e farinha, que fazem parte da cesta básica de alimentos do Dieese, e também do macarrão.

O milho é muito usado como ração para a produção de carne, principalmente de frango, mas também bovina e suína.

Alguns especialistas avaliam que as exportações brasileiras, sobretudo de milho, podem se beneficiar com o fim do acordo, pois a Ucrânia é a quarta maior exportadora mundial de milho.

Essa é a avaliação da própria Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), cujo vice-presidente, Ingo Plöger, declarou ao Estadão que, no longo prazo, o fim do acordo pode levar países compradores desses grãos a buscarem parceiros mais estáveis na América Latina.

Um outro possível efeito indireto está no câmbio. O retorno da inflação de alimentos nos países ricos, sobretudo nos Estados Unidos, pode levar bancos centrais como o Fed a elevarem os juros básicos.

Quando estes sobem, ficam mais atraentes para os investidores, que acabam retirando dólares de países emergentes, como o Brasil, o que desvaloriza o real e também as ações das empresas listadas nas bolsas de valores brasileiras.

Se o dólar sobe, tudo o que é cotado em dólar fica mais caro, o que também pode pressionar a inflação.

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