Pesquisa aponta que na fronteira agrícola do Matopiba ocorreu o maior crescimento do desmatamento do bioma
Por Maria Eduarda – DF
Os dados divulgados pelo Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado) com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), apontam que o desmatamento no Cerrado mais do que dobrou em novembro, atingindo 115 mil hectares de áreas de vegetações perdidas.
A área registrada em novembro de 2023 é 103% maior do que a registrada no mesmo mês em 2022 e 70% maior do que a marca de 2021.
A pesquisa aponta que a alta dos números foi causada pelo crescimento do desmatamento da fronteira agrícola dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, conhecida como Matopiba, que aumentou 173% em relação a novembro de 2022.
Atingiu 84,3 mil hectares apenas neste mês em 2023. Na prática, esse número representa 73% do que foi desmatado no novembro.
A pesquisadora do Ipam, Fernanda Ribeiro explica que a expectativa do instituto era que após o período de seca ocorreria a diminuição do desmatamento do bioma.
“O ano de 2023 está se consolidando como o ano dos recordes de desmatamento no Cerrado. Historicamente, o pico costuma ocorrer no meio do ano, na época de seca. Estamos observando um aumento atípico do desmatamento agora no final do ano, sendo que a expectativa era de queda nesse período.”
A vegetação nativa do Cerrado mais atingida pelo desmatamento foi a savana, que ocupa a maior parte do bioma, enquanto as formações campestres ocuparam a segunda posição. As formações florestais, por sua vez, concentraram 21% do desmatamento de novembro, segundo os dados do Ipam.
