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Petrobras, uma questão política

Lula da Silva e Jean Paul Prates Petrobras Misto Brasil

Lula da Silva, posa para foto com Presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, durante foto com 70 funcionários da refinaria Abreu e Lima. Ipojuca - PE/Arquivo/Ricardo Stuckert / PR

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Em um primeiro momento, cogitou-se da possibilidade de demissão do presidente da Petrobras, que teria apoio de ministros

Por André César – DF

O que era um desconforto dentro do governo parece ter se transformado em um problema político, que pode inclusive afetar a imagem do presidente Lula (PT).

A questão dos dividendos da Petrobras rachou a gestão. Diretamente envolvidos estão os ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT), da Casa Civil, Rui Costa (PT), e de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), além do presidente da petroleira, Jean Paul Prates.

Falemos rapidamente dos atores envolvidos no imbróglio. Haddad dispensa apresentações. Ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, professor universitário, tem se mostrado um bom articulador, além de ser o responsável pela condução da política econômica (entre erros e acertos).

Seu colega Rui Costa tem perfil distinto. O ex-governador da Bahia é mais duro nas negociações e, por conta disso, volta e meia recebe críticas de parlamentares pela suposta dificuldade de acesso a ele no Planalto. Sem falar nos embates com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), fartamente divulgadas pela imprensa.

O ministro Silveira, ex-senador, é o representante de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na Esplanada. Por isso mesmo, ao presidente Lula cabe prudência no trato com ele. Um eventual desentendimento pode gerar problemas mais sérios com o presidente do Senado Federal.

É justamente o presidente da Petrobras a personagem menos conhecida envolvida no caso. O ex-senador pelo PT potiguar é tido como grande especialista no setor. Participou da assessoria jurídica da Petrobras Internacional (Braspetro), no final da década de 1980.

Em 1991 fundou a primeira consultoria brasileira especializada em petróleo. No Rio Grande do Norte, trabalhou em torno de uma proposta de desenvolvimento para o setor energético, com fontes renováveis e a revitalização do setor de petróleo, proposta essa adotada pelo governo estadual. Ou seja, não se pode dizer que Prates desconheça o ramo.

Explicando a questão dos dividendos. A decisão da Petrobras de não pagar dividendos extraordinários – parcela do lucro da companhia – para acionistas gerou uma queda de mais de R$ 50 bilhões no valor de mercado da empresa e criou uma polêmica para o governo, maior acionista da petroleira.

A diretoria da Petrobras chegou a propor o pagamento de metade dos dividendos extraordinários, mas os representantes do governo no Conselho de Administração votaram contra a proposta, que acabou rejeitada. Ao final, foram pagos apenas os dividendos ordinários, obrigatórios.

Ao não seguir a orientação governista e se abster na votação, Prates irritou o Planalto. É de conhecimento geral que Silveira e o presidente da Petrobras pouco se entendem, e Haddad (que era favorável ao pagamento dos dividendos extraordinários) teria entrado em campo para encaminhar uma aproximação mínima entre os dois.

Em um primeiro momento, cogitou-se da possibilidade de demissão do presidente da Petrobras, medida que contaria com o apoio de Rui Costa. Por ora, no entanto, Prates fica, de acordo com o decidido na noite de segunda-feira, 11 de março.

Mas a Lula (que continua com declarações polêmicas contra o mercado financeiro, o “dinossauro voraz”) caberá manter atenção ao caso, mediando permanentemente o problema, que ainda não está definitivamente resolvido.

Um último ponto. Entra governo e sai governo, a Petrobras, maior empresa brasileira, sofre interferência política. Simples assim.

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