A administração do novo presidente norte-americano está sendo processado por familiares que denunciam desrespeito às leis
Por Misto Brasil – DF
Angela Sequera recebeu notícias de seu filho detido na detenção de imigração duas vezes por dia, todos os dias, durante quase cinco meses, até domingo.
Naquela tarde, outro detento ligou para ela com uma mensagem que a deixou em pânico: seu filho, Yoiker David Sequera, 25 anos, havia sido levado para uma notória prisão offshore.
“Señora Angela, estou ligando para lhe dizer que seu filho vai para Guantánamo“, ela se lembra do homem dizendo, “ele me deu seu número”.
“Estamos em um país onde as leis devem ser respeitadas”, ela disse ao USA Today por telefone na Califórnia, depois de três dias sem notícias do filho.
“Para mim, e estou falando sinceramente”, ela disse, “acredito que meu filho foi sequestrado pelas autoridades americanas“.
Sequera é um dos vários autores em uma ação judicial da ACLU movida na quarta-feira contra o governo Trump, exigindo acesso de advogados para pessoas removidas dos EUA para a prisão de Guantánamo, na ilha de Cuba, onde o governo Trump montou um campo de detenção de imigrantes com 30 mil leitos.
Os Estados Unidos estão “armazenando-os em uma ilha remota sem acesso a advogados ou ao mundo exterior”, disse Lee Gelernt, advogado principal da ACLU que liderou um litígio de alto perfil contra o primeiro governo Trump, incluindo a separação de famílias.
“Isso deve preocupar qualquer um que acredite no estado de direito.”
