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Carnaval para mobilizar as pessoas com deficiência

As pessoas com deficiência também usam o Carnaval para derrubar barreiras/José Cruz/Agência Brasil

A manifestação popular é usada em Brasília para chamar atenção da sociedade em favor das PCDs e contra o preconceito

Por Gilberto Costa – DF

Há 13 anos, a historiadora Lurdinha Danezy Piantino utiliza o Carnaval como meio de mobilizar as pessoas com deficiência (PCDs) para saírem de casa nos dias de folia em Brasília.

É o Carnaval também a forma que ela encontrou para chamar atenção da sociedade em favor das PCDs e contra o preconceito que as trata como fora do padrão tido como normal, inferiores e incapazes – o chamado “capacitismo”.

“A gente costuma dizer que a deficiência da pessoa é apenas uma das características dela”, ressalta Lurdinha

Com humor, ela tenta reverter comportamentos. O nome do bloco é “Deficiente é a mãe.”

Segundo Lurdinha, trazer pessoas com deficiência para brincar Carnaval exige um trabalho bem grande. Isso porque os espaços sociais costumam ser excludentes e por isso são pouco frequentados por PCDs.

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Gabiela Passos, no Bloco carnavalesco, Deficiente é a Mãe, que desfilou em Brasília/José Cruz/Agência Brasil

Para um cadeirante, por exemplo, deslocar-se no Carnaval pode significar esperar por muito tempo um ônibus que pare e acione o elevador hidráulico para subir, ou ter a sorte de conseguir um motorista de aplicativo que tenha boa vontade de transportar a pessoa com deficiência no banco da frente, no banco de trás é mais difícil a entrada e conforto.

Ao chegar no local, o cadeirante poderá perceber que o piso, sem conservação, é irregular e esburacado, e ainda faltam rampas de acesso.

Se a PCD é cega, também terá dificuldades como a ausência de piso tátil ou placas em braile. Se um surdo estiver sozinho, talvez não encontre quem possa auxiliar comunicando-se em libras.

Para o advogado Gerson Wilder de Sousa Melo, as cidades brasileiras – mesmo Brasília, que foi planejada – padecem de algum “capacitismo arquitetônico” e de certo “capacitismo atitudicional”, que no carnaval afugenta foliões com deficiência.

O cadeirante Carlos Augusto Lopes de Souza também é da rede pública de ensino do Distrito Federal e aproveita a experiência de lidar com estudantes como secretário escolar para participar de papos, aulas e palestras com crianças e jovens para falar dos direitos dos deficientes.

“Inclusão nunca é demais”, resume em suas conversas.

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