Mas o principal é a Lei da Reciprocidade, aprovada no Congresso. Se ele cobrar 50% da gente, a gente vai cobrar 50% dele
Por Misto Brasil – DF
O presidente Lula da Silva disse que vai buscar o diálogo com o seu homólogo americano, Donald Trump, para tentar reverter a tarifa extra de 50% que ele ameaça impor aos produtos brasileiros, mas que vai retaliar na mesma medida se não houver negociação com os Estados Unidos.
“Temos vários caminhos”, disse em entrevista à TV Record veiculada na noite desta quinta-feira (10), respondendo a pergunta sobre como o Brasil reagirá à tarifa.
“Podemos recorrer à OMC [Organização Mundial do Comércio], propor investigações internacionais, cobrar explicações. Mas o principal é a Lei da Reciprocidade, aprovada no Congresso. Se ele cobrar 50% da gente, a gente vai cobrar 50% dele.”
A lei brasileira sancionada em abril, após a primeira onda de tarifas anunciadas por Trump, permite ao governo reagir a medidas unilaterais adotadas por país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira.
Entre os instrumentos de retaliação previstos estão a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual, como patentes de medicamentos.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o decreto que normatiza a lei deve ser publicado nos próximos dias.
Mas, de acordo com a Folha de São Paulo, uma retaliação só deve acontecer a partir do dia 1º de agosto, prazo dado por Trump para entrada em vigor da tarifa adicional de 50%. A medida se somaria a uma sobretaxa de 10% já em vigor.
À Record, Lula também chamou de “afronta” a carta pública que Trump usou na quarta-feira para informar o governo brasileiro sobre o tarifaço e disse ser “inadmissível” que interesses externos se sobreponham à soberania brasileira.
Na carta, publicada por Trump na rede dele, a Truth Social, o republicano atribuiu a medida à política comercial “injusta”, mas também citou “ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos” e o julgamento no Supremo Tribunal Federal do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu acusado de tentar dar um golpe para reverter a derrota eleitoral de 2022.
