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Liberdade religiosa e política

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Guerras regionais provocam mais ppobreza no continente africano/Arquivo/WP

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A África é relegada a uma subcategoria de continente. As guerras e massacres ocorridos na região, pouco ou nada sensibilizam o Ocidente

Por Marcelo Rech – DF

Em maio, o Papa Leão XIV recebeu, no Vaticano, diferentes líderes de Igrejas Orientais e disponibilizou a diplomacia da Santa Sé para promover negociações de paz. O gesto político do chefe da Igreja Católica, busca resgatar uma das melhores diplomacias do mundo, a do Vaticano, na interlocução com os envolvidos nos mais de 30 conflitos em curso em todo o planeta.

Essa diplomacia pretende, entre outras coisas, restaurar a plena liberdade religiosa, especialmente em relação aos cristãos, vítimas de ataques violentos inclusive em países de maioria católica como o Brasil e o México. Leão XIV também está preocupado com a violência sofrida pelos católicos na África.

Leia: um acordo de paz que não importa

Como já assinalamos neste espaço, a África, uma das regiões mais ricas e diversas do mundo, só interessa para sustentar narrativas. Na prática, a África é relegada a uma subcategoria de continente. As guerras e massacres ocorridos na região, pouco ou nada sensibilizam o Ocidente.

Em junho, um massacre na Nigéria vitimou cerca de 200 cristãos e foi solenemente ignorado nas principais capitais. Nos dias 13 e 14 de junho, essas pessoas, a maioria deles deslocados internos abrigados numa missão católica local, foram brutalmente assassinadas no estado de Benue.

E este não é um caso isolado. No Brasil, os ataques, embora esporádicos, espalham-se. E, para um país multiconfessional, a liberdade religiosa deve ser assegurada. Historicamente, uma país católico, o Brasil nunca limitou a prática de outras expressões de fé.

Além da violência, propriamente dita, também cresce no mundo, a perseguição na forma de leis que tentam impedir as pessoas de exercerem sua fé. Vejamos dois casos emblemáticos, Armênia e Ucrânia.

Na Armênia, o primeiro-ministro N. Pashinyan, violando gravemente os princípios da separação entre Igreja e Estado, consagrados na Constituição do país, patrocina o projeto de lei “sobre o procedimento de verificação da confiabilidade dos cleros, remoção e aprovação pelo Parlamento de um candidato ao cargo de Patriarca Supremo e Católico de Todos os Armênios”.

E, com o objetivo de cercear a liberdade religiosa e ter controle sobre a Igreja, o político encarregou as forças de segurança de preparar e publicar provas incriminatórias contra os padres da Igreja Apostólica Armênia.

Na Ucrânia, os reflexos da guerra com a Rússia, também têm afetado os religiosos. Uma lei foi aprovada para proibir a Igreja Ortodoxa Ucraniana ligada ao Patriarcado de Moscou, acusada de não condenar a invasão russa e de manter laços com a Rússia.

Por conta disso, grupos religiosos minoritários, como cristãos evangélicos, católicos e comunidades da Igreja Ortodoxa não ucraniana, enfrentam restrições e proibições em algumas áreas. Apesar do apoio maciço que recebe do Ocidente, a Ucrânia limita as ações das igrejas por razões políticas.

O problema escalou de tal forma que, nos EUA, a congressista Anna Paulina Luna (Republicana-Flórida), declarou no dia 4 de julho, que tais perseguições à Igreja são inaceitáveis e que Washington deve considerar retirar todo e qualquer apoio aos países onde a liberdade religiosa não for assegurada.

Embora não seja um tema prioritário para o Brasil, talvez fosse oportuno que um país que responde por 47% da economia latino-americana, se posicionasse a respeito, fazendo valer a tradição de respeito à pluralidade religiosa num dos maiores países católicos do mundo.

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