A corrupção é o verdadeiro elemento de unidade e integração dos países latino-americanos, um instrumento que direciona e drena recursos
Por Marcelo Rech – DF
A morte do senador colombiano Miguel Uribe Turbay, vítima de um atentado em junho, reascende o temor pelo aumento da violência na política, mas a Colômbia não é um caso isolado. A violência política nunca terminou e vem ganhando cada vez mais espaço em toda a América Latina.
Na Colômbia, há um processo de reedição da violência comandada pelos cartéis de drogas e guerrilhas. O acordo de paz firmado na gestão de Juan Manuel Santos, em 2016, pretendia pôr fim há mais de 50 anos de violência.
No entanto, as Farcs preferiram manter uma dissidência à margem dos diálogos e manter o foco nos negócios, como a luta armada. A paz nunca foi uma opção.
Vizinho da Colômbia, o Equador não vive situação diferente. Um candidato presidencial foi assassinado em 2024 e vários políticos foram mortos em diferentes partes do país até as eleições de fevereiro deste ano que confirmaram a eleição do atual presidente Daniel Noboa.
O México é outro paraíso para o crime organizado e os cartéis que dominam a política e exercem o Estado paralelo, a exemplo do que ocorre no Brasil há décadas. O poder dos cartéis não para de crescer graças, em grande parte, à corrupção política.
A corrupção é o verdadeiro elemento de unidade e integração dos países latino-americanos, um instrumento que direciona e drena recursos, enriquece uns poucos e contribui para a morte de milhares. No entanto, a corrupção nunca foi considerada uma ameaça à democracia.
O assassinato brutal do senador Turbay na Colômbia, será apenas mais um capítulo nesta guerra sem fim. Depois dele, virão outros e mais outros. Os corpos se acumularão, mas o silêncio obsequioso prevalecerá. A violência política real, esta ficará nas manchetes por algumas horas apenas.
No final das contas, o sistema acomodará as forças e as narrativas, com o apoio imprescindível dos meios de comunicação, e substituirão a comoção, fazendo as pessoas engolirem o medo e seguirem com suas vidas. Mais um dia comum em qualquer lugar da América Latina.
