Mais de duas décadas após o fim do serviço militar obrigatório na França, dezenas de milhares de franceses estão se alistando para a reserva
Por Misto Brasil – DF
A faculdade de direito não ensinou Constance a andar em ritmo de marcha militar, identificar sinais de uma chamada de rádio ou deitar-se de barriga para baixo no concreto quente, apontando seu rifle para um inimigo imaginário.
Em vez disso, a estudante da Universidade Sorbonne recebeu sua formação militar básica em um regimento na região de Paris, durante suas férias de verão.
“É muito importante proteger nosso país, especialmente no contexto muito complicado que estamos vivendo”, diz Constance, estudante do segundo ano de direito, sobre seu treinamento de duas semanas no serviço militar.
“Acho que o Exército é a melhor maneira de aprender a trabalhar em equipe“, acrescenta. A pedido do Exército francês, seu sobrenome e os de outras pessoas citadas nesta reportagem serão preservados.
Mais de duas décadas após o fim do serviço militar obrigatório na França, dezenas de milhares de franceses estão se alistando para a reserva, e se preparando para a eventualidade de terem de servir ao seu país, ao menos em tempo parcial.
O número de reservistas operacionais disparou na última década, de apenas 28 mil em 2014 para mais de 46 mil atualmente. O Exército absorveu mais da metade deles, e os demais foram divididos de forma quase igual entre a Marinha e a Aeronáutica.
Até 2035, o governo quer mais do que dobrar esse número – para 105 mil reservistas, ou cerca de um para cada dois militares na ativa – e oferecer novas oportunidades para os jovens se voluntariarem.
A meta está alinhada aos planos do presidente Emmanuel Macron de aumentar drasticamente o investimento nas Forças Armadas, até atingir 64 bilhões de euros (R$ 404 bilhões) em 2027, o dobro do nível de 2017, quando ele assumiu o cargo, segundo a Agência DW.
