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Copom mantém Selic em 15%. Veja a repercussão

Banco Centralhall entrada Misto Brasil

Entrada principal do Banco Central na cidade de Brasília/Arquivo/Divulgação

O texto do comunicado de hoje repetiu vários trechos do anterior: “o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas”

Por Misto Brasil – DF

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu nesta quarta-feira (17) manter em 15% a Selic, a taxa básica de juros da economia. A decisão de manutenção já era amplamente esperada pelo mercado financeiro e havia sido praticamente antecipada pela diretoria do BC na reunião de julho.

Na ocasião, a autoridade monetária comunicou que seria necessário manter “uma política monetária contracionista por período bastante prolongado”.

O texto do comunicado de hoje repetiu vários trechos do anterior: “o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”.

Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.”

O que disseram os especialistas

Marcos Freitas – analista macroeconômico AF Invest – A decisão do Copom veio, no geral, em linha com o que o mercado esperava do lado mais hawk. Não mudou quase nada em relação à comunicação da última reunião.

A própria projeção para o horizonte relevante também ficou estável. Neste caso, um pouco acima das expectativas, caracterizando a inflação e o cenário externo.

Apenas sobre política monetária tivemos ajuste, com a retirada do trecho sobre a interrupção do ciclo de alta, mas ainda falando sobre um período bastante prolongado se iniciando. Também foi mantido o trecho de não hesitar em retomar o ciclo de ajuste se for necessário.

Gabriel Lago, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital – O tom do comunicado veio claramente mais hawkish, até um pouco mais do que veio em julho. Então, além de repetir que a Selic seguirá no patamar mais contracionista por um tempo prolongado, o Copom, desta vez, fez questão de falar que vai retomar o ciclo de alta se julgar necessário. Isso de fato me chamou a atenção.

Isso não tinha sido feito no último comunicado. Na minha visão, o comunicado vem com uma postura bem mais firme contra a inflação e reforça que não há espaço para cortes. Como a decisão foi unânime, e já era esperado que não haveria redução, mas o recado foi muito mais duro que o esperado.

O ponto que me chamou a atenção também foi essa menção explícita às tarifas comerciais dos EUA contra o Brasil. Isso não tinha sido feito no comunicado, foi algo novo, isso mostra que ele está preocupado não apenas com a inflação interna, mas o que esse choque externo pode vir a pressionar o câmbio.

Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg – O Copom decidiu manter a taxa básica de juros inalterada em 15,00% a.a., conforme amplamente esperado pelos agentes.

Boa parte das atenções estava voltada para o comunicado e, da mesma forma, ele não trouxe surpresas: o texto ficou muito parecido com o anterior, indicando a preocupação do BC em relação à desancoragem das expectativas e à resiliência do mercado de trabalho.

O tom do texto seguiu indicando poucas chances de cortes de juros no curto prazo.

O comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível atual da Selic por um período bastante prolongado será suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. Informou, ainda, que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos – Foi citado também a questão do próprio juros, desculpa, da própria inflação, então ele citou que o cenário doméstico, atividade segue ainda apresentando certa moderação no crescimento, um dinamismo na ponta do mercado de trabalho, em relação às divulgações mais recentes, a inflação cheia, junto com as outras medidas subjacentes, mantiveram acima da meta de inflação, então isso fez com que ali, em termos qualitativo, os riscos para a inflação aumentaram.

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