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Não haverá Estado Palestino

Estado Palestino bandeira manifestação

Manifestação pela criação do Estadopalestino ocorre em diversas partes do país/Arquivo/Divulgação

A comunidade internacional também acreditava num maior protagonismo dos EUA e de Donald Trump, e na obtenção de um cessar-fogo

Por Marcelo Rech – DF

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deixou claro que “não haverá um Estado Palestino” em resposta às decisões de Canadá, Austrália, Reino Unido e Portugal, que reconheceram o Estado da Palestina, no domingo, 21, véspera do início dos debates da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

De acordo com a ONU, pelo menos outros dez países devem repetir o anúncio ao longo da semana.

Leia: Assembleia da ONU começa sob a pressão de um Estado palestino

O reconhecimento do Estado da Palestina é como uma retaliação pela forma como Israel tem respondido aos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023. Inicialmente, havia um entendimento de que Israel tinha o direito de responder e defender-se. No entanto, acredita-se que esta resposta tem sido desproporcional e visaria apenas acabar com Gaza de uma vez.

A comunidade internacional também acreditava num maior protagonismo dos EUA e de Donald Trump, e na obtenção de um cessar-fogo duradouro.

Hoje, não há qualquer evidência de que isso seja alcançado e antigos aliados de Israel se veem obrigados a mudar de postura.

No entanto, a frase de Netanyahu não deixa de ser verdadeira por outras razões. Quando estudamos a origem do conflito, a resolução da ONU sobre a partilha do então mandato britânico da Palestina e a conjuntura internacional passada e contemporânea, somos obrigados e concordar.

Não haverá um Estado Palestino viável não apenas porque Netanyahu assim o deseja. Se fosse apenas por sua posição, seria algo relativamente tranquilo de se equacionar. Não haverá um Estado Palestino porque os palestinos não o querem, não o desejam e não trabalham por ele.

Apesar de toda a comoção que a guerra causa, os palestinos comuns são, há décadas, reféns de um radicalismo que nunca quis um Estado-Nação.

Quem, em um lampejo de discernimento, é capaz de ver o Hamas, que controla Gaza, aceitar um ter como vizinho, o seu grande inimigo, que deve ser destruído impiedosamente?

Deixando as paixões de lado, não é possível compreender, nem sequer por um segundo, que em Israel, a opinião predominante é a de que ao Hamas, o que interessa é o Estado de Guerra permanente, com o qual lucra milhões de dólares anualmente?

Para que um Estado Palestino deixe de ser uma utopia, os palestinos devem, em primeiro lugar, reconhecer a existência do Estado de Israel.

Do contrário, teremos manifestações políticas, marchas, flotilhas e tudo o mais, que servem apenas para a promoção pessoal de meia dúzia. De prático e objetivo, não teremos nada.

E um Estado Palestino viável, passa pela eliminação completa do Hamas e seus satélites radicais, algo que estes países que agora reconhecem a Palestina, se mostram covardes em condenar e asfixiar com a mesma veemência e transparência.

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