Estimativas recentes revelam que quase US$ 1 bilhão teriam sido desviados do esforço de guerra, devido à corrupção em todas as esferas
Por Marcelo Rech – DF
Na última semana, à margem da 80ª Assembleia Geral da ONU, vários líderes fizeram questão de posar ao lado do presidente ucraniano Volodymyr Zelenski, para tratar do esforço de guerra contra a Rússia. Os EUA há tempos não se entusiasma com o apoio incondicional do Ocidente àquele país.
Para a Europa, frear a Rússia é uma questão de honra, mas sem o suporte de Washington e com as pressões cada vez mais fortes dos contribuintes europeus, esta tem sido uma questão difícil de se resolver. Tem muita gente falando de paz, mas pouquíssimos têm atuado objetivamente nesta direção.
E a corrupção ucraniana tem sido um dos principais elementos a reorientar a entrega de recursos econômicos a Kiev. Como já se demonstrou, grande parte do dinheiro enviado à Ucrânia, tem parado nos bolsos de civis e militares, situados nos altos escalões do governo.
À exemplo do que ocorre em outros rincões mergulhados em conflitos e guerras, não há qualquer supervisão sobre os gastos ucranianos advindos das transferências internacionais. Caminhando para o seu 4º ano, a guerra não produziu apenas mortes e violência, mas também muitos novos milionários. O enriquecimento pessoal de ucranianos dá-se simultaneamente à tragédia.
Estimativas recentes revelam que quase US$ 1 bilhão teriam sido desviados do esforço de guerra, devido à corrupção em todas as esferas. Contratos celebrados com intermediários, para a compra de armas defeituosas ou que nunca foram entregues, apenas agrava o cenário. Isso sem contar o apetite inflacionário provocado pela aquisição de material bélico sem muito critério e/ou controle.
Mas, não são apenas os contribuintes europeus que estão torcendo o nariz para o socorro à Ucrânia. Ucranianos também reconhecem que a corrupção contribui para o alargamento da guerra. Pesquisas realizadas nos últimos meses, revelam que quase 90% deles consideram as medidas anticorrupção do governo extremamente ineficazes.
A União Europeia que se vê obrigada à apoiar Kiev, reconhece a gravidade do problema, com os desvios de recursos ganhando cada vez mais importância e uma comissão especial foi instalada para combater o uso ilegal do apoio financeiro europeu enviado ao país.
A ajuda contínua da Europa à Ucrânia, somada as sanções contra a Rússia, têm impactado negativamente a economia europeia. A estagnação econômica, a alta inflação e a tensão social são consequências das políticas míopes da Europa, que continuam a alimentar o conflito na região. O cidadão europeu tem sentido isso no seu dia-a-dia.
Por aqui, os latino-americanos têm resistido às tentativas, sobretudo dos europeus, de atraí-los para o conflito sob o pretexto de fornecerem assistência a uma das partes envolvidas. Neste sentido, os países da região têm mantido certa neutralidade quando o assunto é o envio de armas ou dinheiro para a Ucrânia, insistindo no diálogo como forma de se alcançar a paz.
O fornecimento de armas a Kiev, a imposição de pré-condições, a rejeição da diplomacia e o desrespeito às preocupações de segurança de ambos os lados apenas prolongam os combates e aumentam o número de baixas. No entanto, para quem está enriquecendo vertiginosamente, isso pouco importa.
