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Déficit de natureza: muito além de ações individuais

Horta comunitária suspensa Misto Brasil

Horta comunitária suspensa ajuda também na merenda escolar/Arquivo/Sesc SP

Estamos tão distante do meio natural que reconhecer o ambiente como regulador de elementos vitais para a vida é muito difícil

Por Mônica Igreja – DF

Os discursos dos presidentes Lula da Silva e Donald Trump, nesta ordem, um seguido do outro, na Assembleia das Nações Unidas, no dia 23 de setembro, ajudam a refletir sobre o déficit de natureza em nossas vidas. Ou melhor, ajudam a identificar a presença ou a ausência dela em nossas ações individuais e coletivas.

No discurso de Lula da Silva, a natureza desponta à altura dos desafios do século XXI. “A corrida por minerais críticos, essenciais para a transição energética, não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos”, diz o presidente.

Além disso, fala da intenção de estabelecer, na COP30, em Belém (PA), a remuneração aos países que mantêm suas florestas em pé com o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre.

No discurso de Trump, a natureza soa ao século passado. “Assinei ordens executivas históricas para caçar petróleo. Mas não precisamos caçar muito, temos, em qualquer lugar, petróleo e gás. E se adicionar carvão, temos mais do que qualquer nação do mundo”, diz o presidente.

Além disso, declara que está livrando os Estados Unidos das ‘falsamente chamadas energias renováveis, pois elas são uma piada, elas não funcionam’.

Esses dois olhares: integrador e extrativista também estão presentes na coluna do articulista do Misto Brasil – Charles Machado.

Ao contrapor as questões que envolvem a economia linear (extrativista) e a economia circular (integradora), o artigo de Machado ressalta o impulso dado pela Reforma Tributária brasileira à sustentabilidade e à reciclagem.

Para reduzir o déficit de natureza é preciso ter a intenção de fazê-lo. Estamos tão distante do meio natural que reconhecer o ambiente como regulador de elementos vitais para a vida (ar, água, solo e clima) é muito difícil. Dolorido, até, pois é necessário mudar hábitos e políticas!

O termo – déficit de natureza – foi criado pelo jornalista Richard Louv, em 2016, e incorpora a ideia de que crianças, mas também jovens, adultos e idosos, estão privados de experiências afetivas com espaços verdes e abertos.

Recuperar essa conexão com o ambiente natural proporciona uma melhora na sensação de bem-estar.

Caminhadas em parques urbanos e em trilhas ecológicas fazem parte da receita. A técnica Banho de Floresta, que promove a imersão sensorial, vem sendo pesquisada pela Fundação Oswaldo Cruz ( Fiocruz ) e oferecida no Parque Nacional de Brasília a grupos de voluntários, uma vez por semana.

Para não ficar somente nessas mais conhecidas, há na Europa uma nova onda médica de prescrição de natureza como medida de promoção da saúde.

Reconexão individual está mesmo em alta! Mas não basta! Precisamos, cada um a seu passo, ir avançando para uma reconexão coletiva e, mais à frente, planetária.

Nossas ações dentro de nossas casas também nos reconectam quando cuidamos de separar bem os resíduos orgânicos dos recicláveis, por exemplo. Ou quando nos aventuramos no mundo da compostagem doméstica.

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