A região com seis estados soma mais de 19 milhões de hectares alterados ou degradados, equivalente a duas vezes o território do Reino Unido
Por Misto Brasil – DF
Para conter a degradação ambiental nos estados de Pará, Mato Grosso, Maranhão, Rondônia, Tocantins e Acre é necessário a combinação de políticas públicas de governançca, pressão internacional pela preservação e mecanismos de autorregulamentação do mercado.
Esta é a principal conclusão de um estudo sobre o Arco do Desmatamento realizado pelo Instituto Esfera de Estudos e Inovação.
O Arco soma mais de 19 milhões de hectares alterados ou degradados, equivalente a duas vezes o território do Reino Unido. Entre 1988 e 2023, a Amazônia perdeu 20% de sua cobertura original, ou 800 mil km².
A região registrou queda de 25,8% nas áreas desmatadas somente em 2024, o que coincide com a retomada de políticas ambientais a partir de 2023.
O levantamento destaca instrumentos que se mostraram decisivos ao longo das últimas décadas, como o PPCDAm (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal), lançado em 2004, que reduziu as taxas de 27.772 km² naquele ano para 4.571 km² em 2012, o menor nível desde 1988.
Também tiveram impacto a Lei de Crimes Ambientais (1998), o sistema de monitoramento em tempo real Deter/Inpe (2004), as moratórias da soja (2006) e da carne (2009), a restrição ao crédito rural oficial a partir de 2008 em municípios críticos em desmatamento, e o Cadastro Ambiental Rural (2012).
O estudo menciona ainda o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o reposicionamento internacional do Brasil na agenda climática.
Segundo a análise, a efetividade desses mecanismos depende da combinação entre fiscalização, regularização ambiental e estabilidade institucional.
O estudo também traça três projeções para o desmatamento até 2050. No cenário pessimista, que leva em consideração uma pressão internacional branda e um enfraquecimento institucional, o desmatamento voltaria a crescer e ultrapassaria 1,2 milhão de hectares em 2045.
Evidencia que o mesmo ritmo de crescimento do setor agropecuário pode ser compatível com trajetórias distintas de degradação, a depender da qualidade da governança.
O Brasil, que preserva 65% de sua vegetação primária, respondeu sozinho por 40% da perda global de florestas em 2021. Apesar de reunir mais de 119 mil espécies catalogadas de fauna e 46 mil de flora, o país ainda explora pouco o potencial econômico sustentável de sua biodiversidade. Cadeias de alto valor agregado, como a de plantas medicinais e alimentos, seguem incipientes.
A pesquisa “Análise dos Determinantes do Desmatamento no Arco do Desmatamento Brasileiro”, foi conduzida pelo economista Waldecy Rodrigues. Combina modelagem econométrica e avaliação de políticas públicas para analisar os fatores que influenciam o desmate.
