Rodrigo Paz e Jorge Quiroga foram os dois candidatos mais votados nas eleições gerais realizadas em 17 de agosto
Por Misto Brasil – DF
Os bolivianos elegem neste domingo (19) o próximo presidente do país. O segundo turno inédito na história da Bolívia é disputado por dois candidatos de direita e marca o fim de duas décadas de hegemonia da esquerda, após 20 anos no poder no país.
O senador centrista Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão (PDC), e o ex-presidente conservador Jorge Quiroga, da coalizão Libre, ambos oposicionistas do atual governo, souberam capitalizar o descontentamento do eleitorado com o Movimento ao Socialismo (MAS) para chegar ao segundo turno.
Paz e Quiroga foram os dois candidatos mais votados nas eleições gerais realizadas em 17 de agosto, nas quais também foi renovado o parlamento nacional para o próximo quinquênio, embora nenhum tenha obtido a porcentagem suficiente para ser declarado vencedor no primeiro turno.
Na votação de agosto, Rodrigo Paz obteve 32,06% e Jorge Quiroga alcançou 26,70%.
O segundo turno foi introduzido na legislação boliviana através da Constituição que vigora desde 2009 no país e que indica que “será proclamada à Presidência e à vice-Presidência a candidatura” que obtenha mais de 50% dos votos válidos ou um mínimo de 40% com ao menos dez pontos de vantagem sobre a seguinte.
Este 19 de outubro será a primeira vez que esse mecanismo será usado para definir uma eleição presidencial e será proclamada vencedora a chapa que obtiver “a maioria dos votos”.
As eleições acontecem em meio a uma das piores crises econômicas do país, com inflação anual a mais de 23%, e escassez de dólares, produtos básicos e, principalmente, de combustíveis, que se intensificou nos últimos dias.
Há pessoas que chegam a dormir dentro dos carros para conseguir abastecer.
“As filas são intermináveis. Aqui em La Paz duram horas e horas, e no interior há quem espere três ou quatro dias. Os caminhões que transportam produtos estão sem diesel, o que afeta diretamente o ciclo econômico”, conta Christina Stolte, diretora da Fundação Konrad Adenauer na Bolívia.
Quem são os candidatos
Jorge “Tuto” Quiroga, nascido em 1960, foi ministro da Economia no governo do pai de seu adversário, Rodrigo Paz. Depois, foi vice-presidente, durante o segundo governo de Hugo Banzer, e presidente da Bolívia.
“Quiroga é um político experiente, que se define como de direita. Banzer, seu mentor político, foi ditador em 1971.
Mais tarde, voltou à política, venceu as eleições e ‘Tuto’ era seu vice. Esse é um dado importante, porque há bolivianos que ainda se lembram da ditadura militar”, comenta Sandoval.
Engenheiro de formação, Quiroga viveu vários anos nos Estados Unidos e tem familiaridade com organismos internacionais. “Essa é uma das bandeiras de sua campanha: ele afirma ter acesso a instituições que podem ajudar a Bolívia a enfrentar a grave crise econômica”, explica Sandoval.
A especialista destaca ainda que ele é visto como um opositor ferrenho ao MAS, além de ser um tecnocrata de linha dura. Quiroga concorre ao lado de Juan Pablo Velasco, candidato à vice-presidência.
Rodrigo Paz é filho de Jaime Paz Zamora, que governou a Bolívia entre 1989 e 1993. Pela aparência física e seu jeito de falar, muitos o associam ao pai. O candidato surpreendeu no primeiro turno, já que não era favorito nas pesquisas e aparecia como um azarão.
Ainda assim, conquistou apoio com uma campanha de contato direto com a população em regiões remotas.
“Rodrigo Paz é carismático e tem experiência em gestão pública. Trabalhou anos para essa candidatura. Em vez de grandes campanhas, fez um trabalho de base”, destaca Sandoval, acrescentando que o programa de governo dos dois candidatos tem muito em comum.
