Para surpresa geral, o centrista Paz, de 58 anos, derrotou seu oponente de direita muito mais proeminente, o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga
Por Misto Brasil – DF
Há três meses, Rodrigo Paz era um senador boliviano da oposição pouco conhecido, com um pai famoso e uma reputação dúbia como prefeito. Agora, ele é o primeiro conservador a vencer uma eleição presidencial na Bolívia em 20 anos.
Para surpresa geral, o centrista Paz, de 58 anos, derrotou seu oponente de direita muito mais proeminente, o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, garantindo a vitória no segundo turno da eleição presidencial deste domingo (19) na Bolívia.
Ele assume como próximo chefe de Estado do país em 8 de novembro.
Em discurso diante de apoiadores na noite neste domingo, Paz agradeceu o apoio recebido para vencer o segundo turno e prometeu “reabrir” o país ao mundo e trabalhar com todos os setores dispostos a se unir para “sair” da crise em que seu país se encontra.
Após conhecer os resultados preliminares que lhe deram a vitória, Paz agradeceu aos presidentes que o parabenizaram e afirmou que “a Bolívia está gradualmente recuperando sua presença internacional”, após ter perdido esse espaço “geopolítica e geoeconomicamente” nas últimas duas décadas.
O político sustentou que “a nova dimensão” que busca construir “será com as mãos estendidas para o interior do país, para trabalhar com todos, homens e mulheres, do parlamento, das organizações sociais” e de outros setores, com o objetivo de “seguir em frente”.
Economia em ruínas
O senador herda uma economia em ruínas após 20 anos de governo do partido Movimento ao Socialismo, fundado pelo carismático ex-presidente Evo Morales (no cargo de 2006 a 2019).
A sigla teve seu auge durante o boom das commodities no início dos anos 2000, mas as exportações de gás natural estagnaram, e seu modelo econômico estatista de subsídios generosos e câmbio fixo entrou em colapso desde então.
Prejudicados pela escassez de dólares americanos e de combustível, que os deixa dias em filas, eleitores de todo o país, no domingo, escolheram Paz para tirá-los da pior crise econômica em quatro décadas. Paz propôs reformas importantes, mas em um ritmo mais gradual do que Quiroga, que defendia o apoio a um resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a um programa de choque fiscal.
Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, que governou de 1989 a 1993, e da espanhola Carmen Pereira, Rodrigo Paz nasceu em Santiago de Compostela, Espanha, e passou lá sua primeira infância.
Ele é economista e estudou relações internacionais, além de ter ampla experiência no setor público.
Seu pai, um dos fundadores do Movimento de Esquerda Revolucionária, de inspiração marxista, na década de 1960, exilou-se na Espanha para escapar da repressão do general Hugo Bánzer, um dos ditadores que governaram a Bolívia de 1964 a 1982.
Paz Zamora retornou ao Peru quando Bánzer renunciou em 1978. Anos depois, em uma reviravolta irônica, ele fez um pacto político com o homem que o havia aprisionado e exilado.
