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Sopram os ventos da mudança na Bolívia

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Rodrigo Paz é ovacionado após as eleições presidenciais na Bolívia/Reprodução/X

O seu impacto na região ainda está por vir, mas é fato que a forma como os bolivianos foram às urnas, influenciarão outros processos

Por Marcelo Rech – DF

Toda mudança deveria ser saudada e bem-vinda. Principalmente, quando tem a ver com alternância de poder. É o caso da Bolívia que, neste domingo (19), elegeu Rodrigo Paz, de 58 anos, seu próximo presidente, pondo fim a 20 anos de domínio da esquerda naquele país.

A eleição de Paz, que também havia vencido o primeiro turno, em agosto, resulta, dentre outros fatores, da saturação de um modelo populista e clientelista, próprio da esquerda latino-americana.

O seu impacto na região ainda está por vir, mas é fato que a forma como os bolivianos foram às urnas, influenciarão outros processos.

Leia: desafio de Rodrigo Paz na presidência da Bolívia

Por muitos anos, nos acostumamos com a narrativa da pobreza e miséria e de como o imperialismo americano nos definia. A Bolívia não é um país pobre, como não são a maioria dos nossos vizinhos e o próprio Brasil.

Somos, na verdade, vítimas de grupos políticos que se apoderam dos Estados como se a eles pertencessem. Cuba, Nicarágua e Venezuela, são exemplos nítidos.

Os bolivianos decidiram dar um basta neste estado de coisas, cansados do discurso ideológico somado à corrupção, inação e incompetência dos seus líderes, além, claro, do desejo permanente de se manterem no poder para sempre.

Rodrigo Paz herda um país rico, mas praticamente colapsado. Terá de reconstruí-lo por inteiro sabendo que a esquerda, apoiada pelo Foro de São Paulo, irá sabotá-lo 24 horas por dia.

Sem contar que, todas as mazelas e desgraças sofridas pelos bolivianos em duas décadas, serão debitadas na sua conta. A esquerda em geral, é soberba demais para assumir seus pecados.

A Bolívia reúne todas as condições para reverter esse quadro caótico deixado pelos governos do MAS, mas o caminho será duro e árduo, com muita gente jogando contra. Os EUA, certamente retornarão e poderão, em troca do acesso às riquezas do país, levantá-lo. No entanto, atores como a China, não terão problemas.

O caminho será mais complicado para Rússia e Irã que também apostaram muito na Bolívia governada por Evo Morales. Para esses dois, o futuro não é nada bom. E para o Brasil, tudo vai depender de como atuaremos: de forma pragmática ou ideológica?

O presidente eleito da Bolívia sabe que o Brasil é um gigante e que os acordos para exportação de gás, lhe garantem um excelente retorno. No entanto, ele tende a esperar pelos sinais que serão enviados – ou não – de Brasília. Caberá ao Brasil, demonstrar interesse em trabalhar com La Paz.

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