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COP30 avante: uma no cravo, outra na ferradura!

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Seringueiro prepara coleta de láctex natural em floresta do Acre/Arquivo/EBC

No século XIX, o petróleo ficou conhecido como ouro negro pelo potencial de recursos financeiros, agora, ele é o vilão climático

Por Monica Igreja 

As decisões políticas em relação ao clima que aconteceram essa semana tendem a deixar qualquer um meio desnorteado, e até nocauteado!

A menos de 20 dias para o início da Conferência do Clima, em Belém (PA), duas iniciativas do governo brasileiro caminham em direção oposta: a autorização para perfurar petróleo na bacia da Foz do Amazonas e a confirmação do Banco Mundial como administrador do Fundo de Florestas Tropicais.

Como bem expressa o ditado popular, ‘uma no cravo, outra na ferradura’, a presidência do Brasil está a defender ambos os lados de uma contenta: dinheiro de combustível fóssil e dinheiro de floresta tropical de pé.

A autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a perfuração marítima , na bacia da Foz do Amazonas, pode aumentar em 60% as reservas da Petrobrás e colocar o Brasil como o quarto maior produtor mundial de petróleo até 2040.

Isso se a pesquisa exploratória feita no poço Morpho, localizado em águas profundas a cerca de 170 km da costa do Amapá (AP), comprovar as expectativas iniciais de que seja possível extrair 6 bilhões de barris na Margem Equatorial.

Em cinco meses (março de 2026), a Petrobrás deve anunciar os resultados da pesquisa exploratória.

No século XIX, o petróleo ficou conhecido como ouro negro pelo potencial de recursos financeiros, agora, ele é o vilão climático por conta da emissão de combustível fóssil e do acúmulo de CO2 na atmosfera.

De cunho inovador e com a liderança brasileira, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, sigla em inglês), que será efetivado durante a COP 30, vai financiar a preservação de florestas tropicais de pé, contribuindo para a conservação ambiental local e global, a preservação da biodiversidade e o combate à crise climática.

A iniciativa ficou ainda mais robusta com o anúncio de que o Banco Mundial será o administrador do Fundo , dando a ele operacionalidade e gerando confiança para que os países apostem nesse modelo de financiamento climático. A expectativa é de que o Brasil aporte, durante a Conferência, mais de R$ 5 bilhões ao Fundo.

As florestas fornecem serviços ecossistêmicos como regulação do regime de chuvas e sequestro de carbono da atmosfera, freios fundamentais para a emergência climática.

O Fundo prevê a reserva de 20% para serem utilizados por povos indígenas e comunidades tradicionais, valorizando as práticas de conservação da natureza. A estimativa é que possa ser pago até US$ 4 por hectare de floresta preservada caso o Fundo tenha US$ 125 bilhões em recursos.

Mais de 70 países podem ser beneficiados por manterem suas florestas de pé e por promoverem a bioeconomia. Dentre eles estão: Brasil, Colômbia, Tailândia, Malásia, Gana.

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