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Mais mulheres abaixo dos 50 anos com câncer de mama

Câncer de mama luta Misto Brasília

O câncer de mama é a principal doença desse tipo encontrado em mulheres/Arquivo/Saúde

A doença em mulheres jovens pode ter um desenvolvimento mais rápido e com comportamento um pouco mais agressivo

Por Maria Eduarda – DF

O câncer de mama é a principal causa de morte entre as mulheres. No Brasil, uma em cada três pacientes diagnosticadas com a doença tem menos de 50 anos. Os casos da doença em mulheres jovens aumentaram 14,8% em uma década, entre 2009 e 2022, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A estimativa é que o número de novos casos de câncer de mama no país ultrapasse 73 mil este ano.

O mastologista Ulysses Emanuel explica que o câncer de mama está atingindo mais mulheres abaixo da faixa etária da doença devido à influência de fatores como uso de hormônios, alimentação ruim e sedentarismo.

Além disso, hoje em dia, as mulheres jovens geralmente têm menos filhos ou optam por não ter filhos. A gestação e a amamentação funcionam como fatores de proteção para a mulher, explica o médico.

A tatuadora e artista plástica Yasmin Coiado descobriu o câncer de mama aos 27 anos. Quando seu filho, que tinha três anos, foi deitar em seu peito e acabou batendo acidentalmente.

Ela relata que a região ficou inchada e sensível após a pancada e, nos dias seguintes, passou a sentir dor no braço direito e dificuldade para movimentar o pescoço.

Logo, ela marcou a primeira consulta com a mastologia pelo plano de saúde para começar a investigação dos sintomas. O resultado positivo da biópsia para o câncer de mama surpreendeu até a médica, por conta da idade da paciente e por não haver histórico familiar da doença.

“Teve um período em que fiquei muito irritada, fiquei com muita raiva. Porque, além de eu não ter idade para ter tido o câncer de mama, eu também não tenho histórico genético […]

“Eu tentei ficar procurando o porquê, perguntava ali para os médicos, passei por três oncologistas para tentar entender o que tinha acontecido comigo, sendo que eu não tinha uma alimentação tão ruim assim, não fumava, não bebia”.

A veterinária Ana Clara Siqueira descobriu a doença aos 27 anos, por meio de um autoexame na mama. Ela, que já tinha nódulos benignos desde os 15 anos, reparou que havia um nódulo com característica diferente e começou uma investigação médica.

Embora os médicos tenham dito que o nódulo era normal para a idade, a biópsia do nódulo que a incomodava revelou que ele era maligno.

O fibroadenoma é um tumor benigno de contornos bem definidos, móvel e facilmente perceptível ao toque. Já o tumor maligno costuma ter formato irregular, bordas imprecisas e massa pouco delimitada, aderindo aos tecidos ao redor da mama e sem a mesma maleabilidade.

Diagnóstico precoce é necessário

A oncologista do Hospital Universitário de Brasília (UnB/Ebserh), Jéssica Vasconcellos, explica que o câncer de mama em pacientes jovens tende a apresentar tumores com comportamento um pouco mais agressivo e com risco de progressão mais rápida.

Ela relata que as mulheres jovens procuram atendimento médico principalmente quando há alteração em exames de imagem ou quando percebem alguns sintomas clínicos, como nódulos mamários palpáveis, secreção nos mamilos e dor nos seios.

O diagnóstico precoce é necessário para que o tratamento tenha maior taxa de sucesso. A médica destaca a importância de procurar atendimento nesses casos.

“Eu não acho que haja uma resistência das mulheres jovens em procurar atendimento, mas talvez, por pensarem que são muito jovens para ter um diagnóstico de câncer de mama, os sintomas sejam cada vez mais deixados para depois […] Então, o que a gente orienta é: qualquer mudança, qualquer alteração na sua percepção das mamas, é muito interessante que faça uma avaliação médica para excluir qualquer causa mais grave.”

Durante o tratamento do câncer de mama, Yasmin Coiado era a paciente mais jovem do corredor. A médica precisou testar quais procedimentos seriam eficazes no combate à doença e obteve uma boa resposta.

Após retirar o tumor, Ana Clara, antes de começar as sessões de quimioterapia para prevenir o avanço da doença, fez uma rifa para custear o congelamento dos óvulos. A veterinária relata que esse foi um dos momentos mais marcantes do tratamento, junto com a última sessão de quimioterapia.

“Quando eu balancei o sininho, que foi o último dia da quimioterapia, e a gente saiu do hospital, coloquei no meu carro ‘último dia de quimioterapia’.

E assim, foi lindo. O pessoal todo na rua buzinando, eram muitas pessoas buzinando: carro, moto, caminhão, ônibus. Pessoas na rua parando para falar comigo. Assim, o que mais me marcou foi isso, e também a questão da rifa me marcou muito, porque consegui realizar meu sonho de congelar os óvulos e deixá-los guardadinhos, para que eu consiga realizar o sonho de ser mãe lá na frente.”

O mastologista Ulysses Emanuel destaca a importância do rastreio do câncer de mama. Pacientes com histórico familiar de câncer precoce ou com mutação genética podem começar os exames mais cedo.

A mamografia, recomendada a partir dos 40 anos, pode ser complementada por ultrassom ou ressonância magnética, conforme a idade e as queixas da paciente.

“Outubro Rosa não é só para mulheres acima de 50 anos ou acima dos 40 anos, quando começamos o rastreio da mamografia. Ele também serve para alertar todas as mulheres e auxiliar a paciente, lembrando-a de que não é só no mês de outubro que deve se cuidar. […]”

“Sempre fazer o autoexame, sempre realizar os seus exames de imagem anuais, abordando a mulher em todas as fases da sua vida”.

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