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Com Selic nas alturas, construção teme falta de investimentos

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Construção civil está em expansão na capital de Goiás/Divulgação/FreePik

Incorporadoras imobiliárias acha que prolonga um cenário de custos financeiros elevados que impactam diretamente a sociedade

Por Misto Brasil – DF

O setor da construção recebeu com preocupação a manutenção da taxa básica de juros em 15% anunciada pelo Banco Central.

Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) justificou a decisão pela persistência da inflação de serviços e pela necessidade de ancorar expectativas.

Leia: mantido em 15% a taxa básica da Selic

O prolongamento da taxa básica de juros em patamar elevado ameaça frear investimentos na construção, comprometendo novos lançamentos imobiliários e a geração de empregos.

“A construção é um dos setores mais sensíveis ao custo do crédito e à confiança do consumidor. Uma Selic de 15% por um ciclo longo traz desafios, porque o setor depende de financiamento de longo prazo, e esse custo torna muitos projetos inviáveis”, explica o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia.

No final de outubro, a CBIC revisou de 2,3% para 1,3% a projeção de crescimento do setor em 2025. A retificação reflete os efeitos do ciclo prolongado de juros altos, que tem limitado o ritmo das atividades da construção. O PIB do setor recuou 0,6% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, na comparação com os períodos imediatamente anteriores.

Veja a nota da Abrainc

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) avalia que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano, anunciada nesta quarta-feira (05/11), prolonga um cenário de custos financeiros elevados que impactam diretamente a sociedade, o crescimento sustentável do mercado imobiliário e o acesso da população à moradia. Com a manutenção da Selic, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo.

Os juros elevados afastam milhares de famílias do sonho da casa própria e comprometem a viabilidade de novos empreendimentos. Estudo da Abrainc aponta que, nos últimos cinco anos, o aumento das taxas retirou cerca de 800 mil famílias do mercado de crédito para aquisição de imóveis de R$ 500 mil, o que representa uma redução de 50% no público elegível.

Cada ponto percentual de aumento nas taxas elimina, em média, 160 mil famílias do financiamento.

A ABRAINC reconhece o papel da Selic no controle da inflação, mas ressalta que o prolongamento de juros elevados por longo período tem freado a atividade econômica e comprometido o crescimento da geração de empregos.

A redução responsável e gradual dos juros é essencial para restabelecer a confiança, destravar novos projetos e ampliar o acesso à moradia digna no país.

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