Ícone do site Misto Brasil

Conta do GDF fechou com déficit. Veja os números

Palácio do Buriti DF formatura força de segurança Misto Brasil

Detalhe do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal/Arquivo/Agência Brasília

Compartilhe:

O Tribunal de Contas alertou para a necessidade de aprimorar o planejamento, a execução e o monitoramento das políticas públicas

Por Misto Brasil – DF

O Governo do Distrito Federal encerrou 2024 com déficit de R$ 1,6 bilhão, segundo o Relatório Anual e Parecer Prévio (RAPP) do Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Apesar do resultado negativo, os saldos acumulados de anos anteriores permitiram que o governo cumprisse todos os compromissos financeiros, confiorme informou a assessoria do TCDF.

A corte alertou para a necessidade de aprimorar o planejamento, a execução e o monitoramento das políticas públicas.

O relatório deve ser aprovado e enviado para a Câmara Legislativa, que fará uma análise dos números e aprovará ou não o texto no plenário.

Em 2024, o DF arrecadou R$ 63,1 bilhões e gastou R$ 64,7 bilhões. A receita subiu 4,9% em relação a 2023, enquanto as despesas cresceram 12%.

O governo previa arrecadar R$ 2 bilhões com a venda de bens públicos e a realização de empréstimos, mas conseguiu apenas R$ 318,3 milhões — o menor valor dos últimos quatro anos.

O orçamento de investimento, que engloba empresas controladas pelo DF, como a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), o Banco de Brasília (BRB) e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), teve R$ 758,9 milhões em despesas realizadas, ou 34,7% da dotação disponibilizada para 2024.

As despesas sem cobertura contratual subiram de R$ 145,5 milhões para R$ 629,8 milhões, impulsionadas principalmente pela retomada de contratações desse tipo para serviços de vigilância e limpeza. Educação e saúde lideraram os gastos, com R$ 370,1 milhões e R$ 255,1 milhões, respectivamente.

A Saúde, a Educação e a Segurança concentraram a maior parte dos gastos públicos, totalizando R$ 38,5 bilhões. A Saúde, sozinha, consumiu R$ 13 bilhões, mas 51,9% de seus indicadores de desempenho ficaram abaixo do esperado.

Segundo o TCDF, a pasta enfrenta desafios importantes, com destaque para o aumento nos casos de dengue e as falhas no armazenamento das vacinas.

A Educação, por sua vez, gastou R$ 12,6 bilhões. Houve avanços no índice de aprovação no ensino médio e no aumento das matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ficou abaixo do esperado, especialmente em relação à qualidade da aprendizagem e ao desenvolvimento educacional mais amplo.

A Segurança consumiu R$ 12,9 bilhões e apresentou avanços, como a redução dos crimes violentos letais e contra o patrimônio, a queda no número de feminicídios e a diminuição dos óbitos no trânsito.

Ainda enfrenta desafios, como a superlotação carcerária e a baixa reposição de efetivo das forças de segurança pública.

O maior item de gastos

Um dos principais itens de gasto do Distrito Federal em 2024 foi com pessoal e encargos sociais, que consumiram a maior parte do orçamento.

O DF utilizou R$ 36,6 bilhões, ou 59,8% das despesas totais, sendo R$ 21,0 bilhões para servidores ativos e R$ 15,5 bilhões para inativos, um aumento de 10,7% em relação a 2023.

Segundo o Tribunal de Contas, os dados da previdência indicam preocupação, com déficit de R$ 4,6 bilhões e previsão de que esse valor chegue a R$ 10,2 bilhões em 2041.

A despesa com pessoal do Poder Executivo ficou dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Estabelece teto de 49% da receita corrente líquida, a qual é a soma das receitas correntes dos últimos 12 meses deduzidas as contribuições dos servidores e receitas de compensação, frente os 39,57% dos gastos de pessoal do Executivo.

A proporção de cargos comissionados também cumpriu a previsão legal: mais de 50% foram ocupados por servidores concursados.

O relatório, produzido pela Secretaria de Macroavaliação da Gestão Pública (Semag), sob a relatoria da desembargadora de contas Anilcéia Machado.

Sair da versão mobile