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Combater desmatamento reduz a violência

Desmatamento floresta Amazônica Misto Brasília

Desmatamento sem permissão continua em toda a floresta Amazônica/Arquivo

A conclusão é de um estudo publicado do projeto Amazônia 2030. O parâmetro de violência usado foi a taxa de homicídios entre 2006 e 2016

Por Misto Brasil – DF

combate ao desmatamento na Amazônia tem um efeito colateral positivo na região: a redução da violência. Nos locais onde a fiscalização é mais presente, o número de homicídios cai 15% em comparação aos números regionais. É como se 1.477 pessoas deixassem de ser vítimas por ano.

A conclusão é de um estudo publicado nesta sexta-feira (28) pelo projeto Amazônia 2030 e obtido com exclusividade pela DW. A iniciativa, fundada em 2020, reúne pesquisadores dedicados a entender melhor a região em busca de rumos mais sustentáveis.

“A grande pergunta era se a maior presença do Estado via fiscalização e multas ambientais diminuiria ou aumentaria a violência. No começo, a gente não tinha ideia da resposta que encontraria”, revela Rafael Araújo, autor principal e professor de economia na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O parâmetro de violência usado foi a taxa de homicídios entre 2006 e 2016. Nesse período, a Amazônia teve um crescimento desproporcional de mortes violentas. Enquanto a taxa nacional teve 8% de aumento, os municípios amazônicos registraram alta de 57,3%.

A violência nesta porção do Brasil está principalmente em zonas rurais, distantes de grandes cidades. As regiões mais afetadas estão perto de terras griladas, além de áreas de desmatamento, garimpo e retirada ilegal de madeira.

São os pontos onde a força se sobrepõe, os conflitos fundiários são intensos e há poucos sinais do Estado, ressalta o estudo.

Para investigar a relação entre mortes violentas e devastação na Amazônia, os pesquisadores recorreram aos dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Criada em 2004, a ferramenta foi chave para coibir o crime ambiental, já que os alertas emitidos pelos satélites levam os fiscais diretamente às áreas afetadas.

Mas uma barreira tecnológica impede a visão do todo: as nuvens. Em anos em que certos municípios ficam mais encobertos do que o normal, o Deter enxerga menos destruição na floresta e, por consequência, o número de multas pode cair. Ou seja, as nuvens podem reduzir a intensidade da fiscalização.

A restrição virou oportunidade para os pesquisadores – o que a ciência chama de experimento não intencional. Por causa dela, eles conseguiram comparar municípios parecidos que, por razões exclusivamente meteorológicas, têm diferentes níveis de presença do Estado.

“Nessas regiões em que um ano há muitas multas e, em outros anos, há poucas multas, tem essa confluência de muita violência, muito desmatamento e muita variação na detecção desses desmatamentos ilegais”, explica o cientista.

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