O cientista político chileno Roviro Kaltwasser ressalva, que os novos governos de ultradireita precisam apresentar resultados
Por Misto Brasil – DF
Toda a América Latina se inclina cada vez mais para a direita: na Bolívia, o democrata-cristão Rodrigo Paz pôs fim a 20 anos de um governo socialista moldado pelo primeiro presidente indígena do país, Evo Morales.
No Equador, o populista de direita Daniel Noboa tenta apagar a memória da “revolução cidadã” do ex-presidente Rafael Correa.
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E a esquerda também foi severamente punida em Honduras: numa eleição presidencial marcada pelas denúncias de fraude , o candidato de direita Nasry Asfura, apoiado por Trump, lidera a apuração.
O cientista político chileno Roviro Kaltwasser ressalva, porém, que o pêndulo pode oscilar no sentido oposto: os novos governos de ultradireita precisam apresentar resultados igualmente expressivos.
Se a esquerda quiser voltar ao poder na América Latina, deve se mirar no Brasil, que mostrou ao mundo a força de suas instituições democráticas, diz.
“Essas instituições funcionaram quando o ex-presidente Bolsonaro se recusou a aceitar os resultados das eleições e tentou dar um golpe de Estado, pelo qual foi condenado a 27 anos de prisão. E aqui se vê a diferença em relação aos EUA, onde um desenvolvimento semelhante ocorreu com Trump.
“O Brasil demonstrou sua força institucional, enquanto os Estados Unidos mostraram fragilidade.”
O sociólogo argentino Pablo Semán destaca, porém, algumas diferenças entre os novos nomes da ultradireita na América Latina, como José Antonbio Kast, no Chile, Javier Milei, na Argentina, e o o “ditador mais cool do mundo”, como o presidente autoritário de El Salvador , Nayib Bukele , ironicamente denomina a si mesmo.
“Apesar de todos estarem bem à direita, cada um enfatizou questões políticas e econômicas diferentes em suas campanhas. Kast focou inteiramente na imigração, Nayib Bukele, presidente de El Salvador, na segurança e Milei conquistou votos com a inflação”, observa Semán.
Um ponto em comum é o grande sucesso entre os eleitores jovens. “Esta geração tem certeza de que sua vida será pior do que as de seus pais. E a esquerda não tem respostas para isso”, conforme registrou a Agência DW.
