O indicativo é ter uma flexibilização para baixo no percentual na próxima reunião em março, segundo foi discutido na reunião de hoje
Por Misto Brasil – DF
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic estável em 15% ao ano na reunião desta quarta-feira (28). Trata-se da quinta reunião seguida de manutenção nos juros.
A decisão unânime já era esperada pelo mercado, que agora busca sinais para calibrar as apostas de um corte de juros em março. Texto atualizado às 19h50
O Banco Central deu início ao atual aperto monetário na reunião de setembro de 2024, a fim de conter pressões inflacionárias e o avanço da atividade econômica acima do esperado. Na ocasião, os diretores elevaram a Selic de 10,50% para 10,75%.
A taxa subiu para 11,25% em novembro e encerrou o ano de 2024 em 12,25%, mas já com duas altas de 1 p.p. contratadas para as próximas reuniões.
Em 2025, como indicado, o ritmo de alta se manteve e os juros foram a 13,25% em janeiro, 14,25% em março e 14,75% ao ano em maio. O ajuste final, que levou a Selic a 15%, ocorreu na reunião de junho do ano passado.
A repercussão da decisão
Pablo Spyer – conselho da Ancord e economista – Ao antecipar a flexibilização, o Banco Central oferece um forward guidance ( orientação futura) claro, mas cuidadosamente condicionado, reforçando que o compromisso com a meta impõe cautela quanto ao ritmo e à magnitude dos cortes.
A mensagem é de que o ciclo de aperto terminou, mas o ciclo de afrouxamento será conduzido com serenidade, dependente dos dados e da evolução do cenário fiscal, do câmbio e do ambiente externo.
Natalie Victal – Economista chefe da SulAmérica Investimentos – A decisão de manutenção veio em linha com o esperado. O cerne da comunicação também esteve alinhado à nossa expectativa, ao sinalizar que o cenário-base aponta para março.
No entanto, o comunicado foi um pouco mais dovish ao indicar explicitamente que, sob o cenário-base, o Copom antevê um corte já na próxima reunião. Vale a ressalva de que o Relatório Focus projeta um corte de 50 pontos-base em março; assim, o cenário-base embutido nas projeções que fundamentaram essa sinalização é de 50 bps.
Lucas Constantino – estrategista-chefe da GCB Investimentos – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15,0% a.a., em linha com as expectativas da maior parte do mercado e com o cenário-base da GCB Investimentos.
A decisão reforça a postura conservadora adotada pela autoridade monetária em um contexto no qual a inflação ainda não convergiu para a meta, as expectativas permanecem desancoradas e o ambiente doméstico e global segue marcado por incertezas relevantes.
Fabricio Echeverria, fundador e CEO da Oby Capital – Conforme esperado, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, ressaltando a ancoragem das expectativas para inflação para o horizonte relevante, com IPCA em 3,2%. A inflação cheia e subjacentes permanecem acima da meta, enquanto as expectativas seguem desancoradas, com projeções em 4,0% para 2026 e 3,8% para 2027.
O mercado de trabalho ainda apresenta resiliência, embora haja indícios de moderação no crescimento econômico.
José Áureo Viana, Economista, assessor e sócio da Blue3 Investimentos – O texto também deixa claro que, quando o ciclo começar, tende a ser gradual. O Copom afirma que “o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo”, ou seja, o mercado pode até discutir o tamanho do primeiro corte, mas o Banco Central quer evitar a leitura de que isso vira um “piloto automático”.
Um detalhe importante para essa interpretação é a mudança de tom em relação aos comunicados anteriores, com a retirada de uma linguagem mais rígida sobre juros elevados por muito tempo, o que reforça a leitura de abertura, sem abandonar cautela.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad – O mercado de DI antecipou a leitura do Banco Central, com queda dos juros futuros na sessão de hoje e a curva passando a precificar probabilidade majoritária de um corte de 0,5 ponto percentual da Selic em março.
A queda dos juros futuros conjugada ao forte fluxo financeiro vindo do exterior resultou em mais recorde de fechamento do Ibovespa com o índice fechando no patamar de 184 mil pontos.
Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg – o Copom escreveu que antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar o processo de corte de juros na próxima reunião, que acontecerá em março.
O BC reforçou, entretanto, que manterá a serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução do cenário econômico nos próximos meses.
Mantemos nossa visão de que o BC cortará a Selic em 0,50p.p. para 14,50% a.a. na reunião de março, mesmo indicando hoje uma maior cautela em relação ao possível ritmo de ajuste”.
